Cancro Duro: Diagnóstico da Sífilis Primária

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher de 25 anos de idade procurou atendimento com queixa de lesão vulvar há uma semana. Refere ter tido relação desprotegida recentemente. Nega doenças crônicas, febre ou qualquer outro sintoma associado. Ao exame, presença de úlcera única em pequeno lábio à direita, indolor, com bordos endurecidos e fundo limpo, e linfonodomegalia inguinal bilateral, de caráter inflamatório. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o diagnóstico e o exame por meio do qual ele pode ser confirmado.

Alternativas

  1. A) herpes genital e pesquisa de herpes vírus simples por técnica de biologia molecular
  2. B) cancro duro e exame em campo escuro
  3. C) cancro mole e exame bacterioscópico
  4. D) linfogranuloma venéreo e cultura com células de McCoy
  5. E) donovanose e citopatologia para identificação dos corpúsculos de Donovan.

Pérola Clínica

Úlcera genital única, indolor, bordos endurecidos + linfonodomegalia inguinal = Cancro Duro (Sífilis Primária).

Resumo-Chave

A descrição clássica de úlcera genital única, indolor, com bordos endurecidos e fundo limpo, acompanhada de linfonodomegalia inguinal, é altamente sugestiva de cancro duro, a manifestação da sífilis primária. O diagnóstico de certeza é feito pelo exame em campo escuro, que visualiza o Treponema pallidum.

Contexto Educacional

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, que apresenta diversas manifestações clínicas ao longo de seu curso. A sífilis primária é caracterizada pelo surgimento do cancro duro, uma úlcera genital que possui características clínicas muito específicas e que são cruciais para o diagnóstico diferencial com outras ISTs ulcerativas. O cancro duro tipicamente se apresenta como uma lesão única, indolor, com bordos bem definidos e endurecidos, e um fundo limpo. Frequentemente, é acompanhado por linfonodomegalia inguinal bilateral, que também pode ser indolor e de consistência elástica. A ausência de dor é um achado importante que ajuda a diferenciá-lo de outras causas de úlceras genitais, como o cancro mole (doloroso) e o herpes genital (vesículas e úlceras dolorosas). O diagnóstico de certeza do cancro duro é realizado pelo exame em campo escuro, que permite a visualização direta do Treponema pallidum na amostra da lesão. Este exame é particularmente útil na fase primária, antes que os testes sorológicos não treponêmicos (como o VDRL) se tornem reativos. Para residentes, é fundamental dominar o reconhecimento dessas características clínicas e a escolha do método diagnóstico adequado para iniciar o tratamento precoce e interromper a cadeia de transmissão da sífilis.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas que diferenciam o cancro duro de outras úlceras genitais?

O cancro duro é tipicamente uma úlcera única, indolor, com bordos elevados e endurecidos e fundo limpo. Diferencia-se do cancro mole (múltiplas, dolorosas, fundo sujo) e do herpes genital (vesículas que ulceram, dolorosas).

Qual a importância do exame em campo escuro no diagnóstico do cancro duro?

O exame em campo escuro é crucial para o diagnóstico precoce da sífilis primária, pois permite a visualização direta do Treponema pallidum em amostras da úlcera, antes mesmo da soroconversão e positividade dos testes sorológicos.

Quais são os testes sorológicos para sífilis e quando eles se tornam positivos?

Os testes sorológicos são divididos em treponêmicos (FTA-Abs, TP-PA) e não treponêmicos (VDRL, RPR). Os treponêmicos geralmente se tornam positivos mais cedo e permanecem reativos por toda a vida, enquanto os não treponêmicos se positivam após o cancro duro e são úteis para monitorar a atividade da doença e a resposta ao tratamento.

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