Sífilis Ocular: Diagnóstico e Tratamento da Neurossífilis

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 25 anos, refere amaurose bilateral há 3 semanas, progressiva, associada à leve cefaleia. Veio encaminhada pelo oftalmologista por apresentar sinais de uveíte e coriorretinite, e exame de VDRL 1/ 1024. No pronto atendimento, foi realizada Tomografia de Crânio, sem alterações; Teste Rápido para HIV, com resultado negativo. Realizada punção liquórica, sendo observadas 10 células, predomínio de linfócitos, glicose normal, cloreto normal, proteína 554 mg/dL; pesquisa direta negativa para bactéria, micobactéria e fungos, cultura em andamento, VDRL LCR negativo. A conduta médica apropriada é:

Alternativas

  1. A) Internação, penicilina benzatina EV por 14 dias, novo VDRL no fim do tratamento.
  2. B) Internação, penicilina benzatina EV por 14 dias, reavaliação clínica durante o tratamento.
  3. C) Alta com penicilina benzatina IM por 14 dias, novo VDRL em 3 meses.
  4. D) Internação, Ceftriaxona IM, reavaliação clínica durante o tratamento.

Pérola Clínica

Sífilis ocular (uveíte, amaurose) = sempre tratar como neurossífilis, mesmo com VDRL LCR negativo.

Resumo-Chave

A sífilis ocular é considerada uma forma de neurossífilis, independentemente do resultado do VDRL no LCR. O tratamento padrão é penicilina cristalina aquosa intravenosa por 10-14 dias, exigindo internação e monitoramento.

Contexto Educacional

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. Embora classicamente dividida em estágios, a sífilis pode apresentar manifestações atípicas ou sobrepostas. A sífilis ocular é uma forma grave da doença, que pode levar à perda permanente da visão se não tratada adequadamente. A sífilis ocular é considerada uma forma de neurossífilis, independentemente dos achados do líquido cefalorraquidiano (LCR), devido ao potencial de invasão do sistema nervoso central pelo Treponema pallidum. Manifestações incluem uveíte, coriorretinite, neurite óptica e amaurose. O diagnóstico é feito pela sorologia positiva para sífilis e a presença de sintomas oculares. O tratamento da sífilis ocular, assim como da neurossífilis, exige a administração de penicilina cristalina aquosa intravenosa por 10 a 14 dias, devido à necessidade de atingir concentrações treponemicidas no LCR. A internação é necessária para a administração da medicação e monitoramento. A reavaliação clínica e sorológica pós-tratamento é fundamental.

Perguntas Frequentes

Por que a sífilis ocular é tratada como neurossífilis?

A sífilis ocular é considerada uma manifestação de neurossífilis porque o Treponema pallidum pode invadir o sistema nervoso central, incluindo o trato óptico, causando danos visuais graves.

Qual o esquema de tratamento recomendado para sífilis ocular?

O tratamento padrão é penicilina cristalina aquosa intravenosa, 18-24 milhões de unidades/dia, administrada como 3-4 milhões de unidades EV a cada 4 horas ou infusão contínua, por 10 a 14 dias.

O que fazer se o VDRL no LCR for negativo em caso de sífilis ocular?

Mesmo com VDRL LCR negativo, a presença de sífilis ocular é suficiente para indicar o tratamento para neurossífilis devido à alta probabilidade de falso negativo e à gravidade da condição.

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