Sífilis Ocular e Ceratite Intersticial: Diagnóstico Clínico

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2010

Enunciado

Quais os prováveis diagnósticos deste paciente?

Alternativas

  1. A) Leishmaniose e ceratoneurite
  2. B) Amiloidose sistêmica e distrofia lattice
  3. C) Síndrome de Ehlers-Danlos e espessamento dos nervos da córnea
  4. D) Sífilis e ceratite intersticial

Pérola Clínica

Ceratite intersticial + vascularização estromal profunda → Suspeitar de Sífilis.

Resumo-Chave

A ceratite intersticial é uma inflamação não ulcerativa do estroma corneano. Quando associada à sífilis, apresenta-se frequentemente com 'vasos fantasmas' e opacidades estromais após a fase aguda.

Contexto Educacional

A sífilis é conhecida como 'a grande imitadora' na medicina, e na oftalmologia isso não é diferente. A ceratite intersticial é uma das manifestações clássicas da sífilis congênita tardia, compondo a Tríade de Hutchinson (junto com dentes de Hutchinson e surdez neurossensorial). O reconhecimento dos sinais corneanos é vital, pois a sífilis ocular é classificada e tratada como neurosífilis, exigindo antibioticoterapia endovenosa. A presença de nervos corneanos espessados ou ceratite intersticial deve sempre acender o alerta para doenças sistêmicas infecciosas ou imunomediadas.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a ceratite intersticial na sífilis?

A ceratite intersticial (CI) é uma inflamação crônica do estroma da córnea sem envolvimento inicial do epitélio ou endotélio. Na sífilis congênita, costuma ser bilateral e manifestar-se na infância ou adolescência. Na fase aguda, há edema estromal e vascularização profunda ('mancha salmão'). Na fase cicatricial, restam opacidades e vasos sanguíneos sem fluxo, conhecidos como vasos fantasmas.

Como é feito o diagnóstico de sífilis ocular?

O diagnóstico baseia-se na apresentação clínica ocular associada a testes sorológicos positivos. Devem ser solicitados testes não treponêmicos (VDRL ou RPR) para avaliar atividade e resposta ao tratamento, e testes treponêmicos (FTA-Abs ou ELISA) para confirmação, especialmente em casos de sífilis tardia onde o VDRL pode ser negativo.

Qual o tratamento para ceratite intersticial sifilítica?

O tratamento envolve a terapia sistêmica para a sífilis (geralmente Penicilina G Potássica cristalina para neurosífilis/sífilis ocular) para erradicar o Treponema pallidum. Localmente, utilizam-se corticosteroides tópicos para controlar a inflamação estromal e prevenir cicatrizes permanentes, além de cicloplégicos se houver uveíte associada.

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