UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Com relação às demandas de saúde na atenção primária à saúde (APS), relacionadas às doenças infecciosas e transmissíveis, julgue o item que se segue. Situação hipotética: Um casal heterossexual compareceu a consultório médico para uma avaliação pré-concepcional. O médico solicitou a realização de teste rápido para sífilis. Tanto o homem quanto a mulher estavam assintomáticos e informaram que nunca tinham sido submetidos a esse tipo de exame. O resultado para ambos foi positivo, e o teste VDRL revelou a seguinte titulação: 1/64 (homem) e 1/32 (mulher). Assertiva: Nessa situação, o casal deve ser tratado com benzilpenicilina benzatina IM na dose de 2,4 milhões UI (1,2 milhão UI em cada glúteo) uma vez por semana durante duas semanas. Após esse período de tratamento, o casal deve realizar novo teste não treponêmico, para monitoramento.
Sífilis de duração ignorada ou latente tardia → Penicilina Benzatina 2,4M UI/semana por 3 semanas.
Para pacientes assintomáticos com sorologia positiva e tempo de infecção desconhecido, o protocolo exige três doses semanais de penicilina benzatina, totalizando 7,2 milhões de UI.
O diagnóstico de sífilis na atenção primária baseia-se na combinação de testes treponêmicos (como o teste rápido) e não treponêmicos (VDRL). Quando ambos são positivos em pacientes assintomáticos que nunca trataram a doença, a classificação correta é sífilis latente. Se o tempo de infecção não puder ser precisado, assume-se o estágio latente tardio para fins terapêuticos, visando cobrir uma possível infecção de longa data que exige níveis séricos prolongados de antibiótico. A falha em completar as três doses semanais é um erro comum que compromete a eficácia do tratamento. Além disso, o tratamento do parceiro sexual é fundamental para interromper a cadeia de transmissão e evitar a reinfecção do paciente. Na APS, a busca ativa de parceiros e a notificação compulsória são passos obrigatórios no manejo da sífilis.
De acordo com o Ministério da Saúde e protocolos internacionais, a sífilis latente de duração ignorada ou a sífilis latente tardia (mais de um ano de evolução) deve ser tratada com Penicilina G Benzatina na dose de 2,4 milhões de UI, por via intramuscular, semanalmente, durante 3 semanas consecutivas. A dose total acumulada deve ser de 7,2 milhões de UI. O intervalo entre as doses deve ser rigorosamente de 7 dias, não devendo ultrapassar 9 dias, sob risco de reiniciar o esquema.
O monitoramento da cura é realizado através de testes não treponêmicos (como o VDRL) trimestralmente em gestantes e semestralmente em não gestantes. Espera-se uma queda na titulação de pelo menos duas diluições (ex: de 1/64 para 1/16) em 6 meses para sífilis recente e em 12 meses para sífilis tardia. A persistência de títulos baixos e estáveis após o tratamento adequado, sem novos riscos de exposição, é chamada de 'cicatriz sorológica' e não indica novo tratamento.
É uma reação aguda que pode ocorrer nas primeiras 24 horas após a primeira dose de penicilina no tratamento da sífilis, especialmente nas fases primária e secundária. Caracteriza-se por febre, calafrios, mialgia, cefaleia e exacerbação das lesões cutâneas. É causada pela liberação de antígenos após a lise maciça de treponemas. O tratamento é sintomático com analgésicos e antitérmicos, e o paciente deve ser orientado de que isso não é uma alergia à penicilina.
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