SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026
RST, Sexo feminino, 27 anos, G1P1, parto normal há 18 meses, sem intercorrências na gestação e puerpério, comparece ao serviço de ginecologia com resultado de VDRL 1/16. Sem queixas, exame físico sem alterações, ausência de lesões genitais. A melhor conduta a ser adotada é:
VDRL + sem lesões ou data de contágio → Sífilis latente tardia/ignorada → 3 doses de Penicilina Benzatina.
Na ausência de manifestações clínicas e sem histórico de tratamento prévio ou data de contágio conhecida, a sífilis é classificada como latente tardia ou de duração ignorada, exigindo esquema de 3 semanas.
A sífilis é uma infecção sistêmica causada pelo Treponema pallidum. O estágio latente é caracterizado pela ausência de sinais clínicos, sendo detectado apenas por sorologia. A diferenciação entre latente recente (menos de 1 ano) e tardia (mais de 1 ano ou ignorada) é crucial, pois define o tempo de exposição ao antibiótico. O VDRL é um teste não treponêmico útil para triagem e controle de cura, mas seus títulos devem ser interpretados conforme a clínica. O tratamento com Penicilina Benzatina permanece como a primeira escolha devido à sua eficácia e ausência de resistência documentada do treponema.
A sífilis de duração ignorada é diagnosticada em pacientes com testes imunológicos reagentes (treponêmicos e não treponêmicos) que não apresentam sinais ou sintomas clínicos da doença e que não possuem registro ou memória de uma exposição de risco recente ou tratamento prévio adequado. Nesses casos, para fins terapêuticos, o protocolo brasileiro (PCDT) recomenda o tratamento como se fosse sífilis latente tardia, garantindo a cobertura de possíveis focos persistentes do Treponema pallidum.
O esquema padrão ouro é a Penicilina G Benzatina na dose de 2,4 milhões de UI, administrada por via intramuscular (1,2 milhão em cada glúteo), uma vez por semana, durante três semanas consecutivas. O intervalo entre as doses não deve ultrapassar 9 dias; caso ocorra um atraso maior, o esquema deve ser reiniciado, especialmente em gestantes, para garantir a eficácia do tratamento e prevenir a transmissão vertical ou complicações tardias.
Embora o fluxograma ideal envolva um teste treponêmico para confirmar a infecção, em cenários de triagem ou alta prevalência, um VDRL com título de 1/16 em paciente sem tratamento prévio é altamente sugestivo de infecção ativa. O Ministério da Saúde recomenda iniciar o tratamento prontamente para evitar a perda de seguimento, especialmente se o acesso a testes confirmatórios for demorado, priorizando a saúde pública e a interrupção da cadeia de transmissão.
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