Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Primigesta na 24ª semana de gestação, previamente hígida, faz exame de VDRL com resultado 1:16 e tem o teste treponêmico reagente. Refere não ter usado nenhum antibiótico nos 6 meses antes de engravidar. Tem parceiro fixo há 1 ano. Nesse caso está indicada:
Sífilis latente tardia ou duração ignorada → Penicilina Benzatina 2,4 mi UI/semana por 3 semanas.
Na gestação, qualquer sífilis de duração desconhecida deve ser tratada como latente tardia para garantir a prevenção da sífilis congênita e tratamento fetal adequado.
A sífilis na gestação é uma emergência de saúde pública devido ao risco de transmissão vertical e sequelas graves (abortamento, óbito fetal, sífilis congênita). O diagnóstico baseia-se em testes treponêmicos e não treponêmicos. Na ausência de histórico confiável de tratamento ou exames recentes, o protocolo brasileiro preconiza o esquema para sífilis latente tardia (3 doses de 2,4 milhões UI de Penicilina Benzatina). A penicilina é a única medicação capaz de atravessar a barreira placentária e tratar o feto efetivamente.
Considera-se duração ignorada quando o paciente não apresenta sintomas clínicos de sífilis primária ou secundária e não possui exames laboratoriais anteriores (VDRL/Teste Treponêmico) negativos no último ano que permitam datar a infecção como recente (latente recente).
O esquema de 3 doses (intervalo semanal) é necessário para garantir níveis treponemicidas sustentados por tempo suficiente para eliminar o Treponema pallidum em fases de replicação lenta, comuns na sífilis latente tardia ou de tempo indeterminado, garantindo a cura materna e fetal.
O tratamento é adequado se feito com penicilina benzatina, iniciado até 30 dias antes do parto, com doses apropriadas para o estágio clínico e com o registro de queda dos títulos de VDRL. O tratamento do parceiro é fundamental para evitar reinfecção, mas sua ausência não classifica mais o tratamento da gestante como inadequado para fins de notificação de sífilis congênita.
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