Sífilis Latente: Diagnóstico e Tratamento Adequado

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023

Enunciado

Ao se candidatar à doação de sangue, um paciente de 32 anos realiza exames de triagem e tem os seguintes resultados: VDRL 1/1 e FTA-ABS positivo. Ele não se lembra de ter apresentado qualquer sintoma de sífilis e nunca foi tratado. Atualmente apresenta encontros sexuais casuais. Encaminhado para coleta de líquido cefalorraquidiano que se mostrou normal sem qualquer evidência de sífilis. Entre as seguintes opções, a melhor para este paciente é

Alternativas

  1. A) dose única de 2.400.000 UI de penicilina benzatina.
  2. B) dose semanal de 2.400.00 UI de penicilina benzatina por três semanas.
  3. C) penicilina cristalina endovenosa, 18 milhões de unidades por dez dias.
  4. D) orientar paciente que se trata de doença pregressa e não precisa de tratamento

Pérola Clínica

Sífilis latente tardia/duração indeterminada com LCR normal → Penicilina benzatina 2.400.000 UI semanal por 3 semanas.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sífilis latente de duração indeterminada, pois não há história de sintomas ou tratamento prévio e o VDRL é baixo. A exclusão de neurossífilis (LCR normal) é crucial para definir o esquema terapêutico, que neste caso é de três doses semanais de penicilina benzatina.

Contexto Educacional

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, com alta prevalência e impacto na saúde pública. Sua apresentação clínica é variada, podendo ser primária, secundária, latente ou terciária. A sífilis latente, caracterizada pela ausência de sinais e sintomas clínicos, é um desafio diagnóstico e terapêutico, sendo classificada como recente (até 1 ano de infecção) ou tardia/de duração indeterminada (mais de 1 ano ou tempo desconhecido). O diagnóstico da sífilis baseia-se em testes treponêmicos (FTA-ABS, TP-HA, ELISA) e não treponêmicos (VDRL, RPR). Os testes treponêmicos geralmente permanecem reativos por toda a vida, enquanto os não treponêmicos podem negativar após tratamento eficaz e são utilizados para monitorar a resposta terapêutica. A interpretação conjunta desses exames é crucial. Em casos de sífilis latente tardia ou de duração indeterminada, a avaliação do líquor cefalorraquidiano (LCR) é recomendada para excluir neurossífilis, que exige um tratamento mais intensivo. O tratamento da sífilis latente de duração indeterminada, na ausência de neurossífilis, consiste em três doses semanais de penicilina benzatina 2.400.000 UI por via intramuscular. A adesão ao tratamento é vital para prevenir complicações graves como neurossífilis, sífilis cardiovascular e sífilis congênita em gestantes. O acompanhamento sorológico com VDRL é essencial para avaliar a resposta ao tratamento, esperando-se uma queda de pelo menos duas diluições em 6 a 12 meses.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar sífilis latente recente de tardia ou de duração indeterminada?

A sífilis latente recente é diagnosticada quando a infecção ocorreu há menos de um ano, geralmente com base em história clínica ou exames anteriores. A tardia ou de duração indeterminada é quando não se pode determinar o tempo de infecção.

Qual a importância do exame de líquor na sífilis?

O exame do líquor (LCR) é fundamental para excluir neurossífilis, especialmente em casos de sífilis latente tardia, falha terapêutica, HIV positivo ou sinais neurológicos/oftalmológicos, pois a presença de neurossífilis altera o esquema de tratamento.

Por que a penicilina benzatina é o tratamento de escolha para sífilis?

A penicilina benzatina é o tratamento de escolha devido à sua eficácia comprovada, baixo custo e capacidade de manter níveis terapêuticos por tempo prolongado, sendo bactericida para Treponema pallidum.

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