PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022
Paciente traz seu resultado de exames de primeira rotina do primeiro e mostra Teste treponêmico reagente e não treponêmico reagente 1:4. Ela não tem histórico de tratamento de sífilis e não tem contato com o pai do bebê. Foi realizada a administração de Penicilina Benzatina 1.200.000 U em cada glúteo nos dias 2/8, 9/8 e 19/8. De acordo com os Fluxogramas para Manejo Clínico das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, 2021, o tratamento
Sífilis gestacional: tratamento inadequado se doses incompletas ou intervalo >7 dias entre doses de Penicilina Benzatina.
O tratamento da sífilis gestacional com Penicilina Benzatina exige doses completas e intervalos máximos de 7 dias entre as aplicações. Interrupções ou atrasos invalidam o esquema, necessitando reinício para prevenir sífilis congênita.
A sífilis gestacional é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo Treponema pallidum que, se não tratada adequadamente, pode levar à sífilis congênita, uma condição grave com alta morbimortalidade fetal e neonatal. A prevalência da sífilis na gravidez e da sífilis congênita tem aumentado no Brasil, tornando o tema de extrema relevância para a saúde pública e para a prática clínica do residente. O diagnóstico precoce, idealmente no primeiro trimestre e repetido no terceiro trimestre e no parto, é fundamental. O diagnóstico da sífilis na gestante é feito pela combinação de testes treponêmicos (FTA-Abs, TPPA) e não treponêmicos (VDRL, RPR). Um teste treponêmico reagente, seguido de um não treponêmico reagente, confirma a infecção. A titulação do VDRL é importante para monitorar a resposta ao tratamento e diferenciar infecção ativa de cicatriz sorológica. O tratamento de escolha é a Penicilina Benzatina, cuja dose e duração variam conforme o estágio clínico da sífilis. Para sífilis primária, secundária ou latente recente (<1 ano), o esquema é de 2.400.000 UI em dose única. Para sífilis latente tardia (>1 ano) ou de duração ignorada, são 3 doses de 2.400.000 UI com intervalo de 7 dias entre elas. A falha em cumprir o intervalo máximo de 7 dias entre as doses de Penicilina Benzatina, como no caso da questão (2/8, 9/8, 19/8, onde o intervalo entre a segunda e terceira dose é de 10 dias), invalida o tratamento e exige seu reinício completo para garantir a prevenção da sífilis congênita.
O tratamento é considerado inadequado se houver falha no esquema terapêutico, doses incompletas, uso de medicamentos não recomendados, ou se o intervalo entre as doses de Penicilina Benzatina exceder 7 dias.
O intervalo máximo de 7 dias entre as doses de Penicilina Benzatina é crucial para manter níveis séricos adequados do antibiótico e garantir a erradicação da espiroqueta. A não observância invalida o tratamento.
A prevenção da sífilis congênita baseia-se no diagnóstico precoce da sífilis na gestante e no tratamento adequado e oportuno, seguindo rigorosamente os esquemas recomendados, preferencialmente com Penicilina Benzatina.
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