Sífilis e HSIL na Gestação: Conduta Essencial

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022

Enunciado

Gestante, secundigesta, inicia o pré-natal em UBS na oitava semana gestacional, sem queixas ou sintomas genitais. Tem parto anterior normal, há 3 anos. Na consulta de retorno com exames solicitados, o pré-natalista é questionado pela paciente, que notou dois exames “diferentes”, segundo relato. VDRL: 1/32 e colpocitologia oncótica com presença de HSIL (lesão intraepitelial de alto grau). Considerando esses exames, a orientação do obstetra deve ser

Alternativas

  1. A) repetir colpocitologia oncótica após a décima segunda semana da gestação; prescrever penicilina benzatina 1.200.000 UI intramuscular, repetir dose após uma semana (totalizando 2.400.000 UI).
  2. B) repetir colpocitologia oncótica com três meses; prescrever penicilina benzatina 2.400.000 UI intramuscular, em três aplicações semanais (totalizando 7.200.000 UI).
  3. C) repetir colpocitologia oncótica com seis meses; prescrever penicilina benzatina 2.400.000 UI intramuscular, em duas aplicações semanais (totalizando 4.800.000 UI).
  4. D) encaminhar para realização de colposcopia e biópsia, se alteração sugestiva de invasão; prescrever penicilina benzatina 2.400.000 UI intramuscular, em três aplicações semanais (totalizando 7.200.000 UI).
  5. E) encaminhar para realização de colposcopia e colher escovado endocervical; prescrever penicilina benzatina 2.400.000 UI intramuscular, em duas aplicações semanais (totalizando 4.800.000 UI).

Pérola Clínica

Gestante com VDRL 1/32 (sífilis secundária) + HSIL → Tratar sífilis (3 doses penicilina) e investigar HSIL (colposcopia/biópsia).

Resumo-Chave

Uma gestante com VDRL 1/32 indica sífilis, provavelmente secundária ou latente tardia, exigindo tratamento com penicilina benzatina 2.400.000 UI IM em 3 doses semanais. A presença de HSIL na colpocitologia oncótica requer investigação imediata com colposcopia, e biópsia se houver suspeita de lesão invasiva, mesmo durante a gestação.

Contexto Educacional

A gestação é um período de vulnerabilidade para a mulher e o feto, e o pré-natal é fundamental para identificar e tratar condições que possam comprometer a saúde de ambos. A sífilis gestacional e as lesões intraepiteliais de alto grau (HSIL) são duas condições que exigem atenção e conduta específicas, pois ambas podem ter sérias repercussões se não forem adequadamente manejadas. O diagnóstico de sífilis na gestação é feito por testes treponêmicos e não treponêmicos (como o VDRL). Um VDRL de 1/32 em uma gestante, especialmente sem tratamento prévio conhecido, sugere sífilis secundária ou latente tardia. O tratamento padrão-ouro é a penicilina benzatina, e a dose e o esquema dependem do estágio da doença. Para sífilis secundária/latente tardia, são necessárias três doses semanais de 2.400.000 UI IM. O tratamento é crucial para prevenir a sífilis congênita. A presença de HSIL na colpocitologia oncótica em gestantes também demanda investigação. A colposcopia é o próximo passo, e se houver suspeita de lesão invasiva (câncer), a biópsia dirigida deve ser realizada. A gestação não é uma contraindicação para a colposcopia ou biópsia, especialmente se houver risco de câncer invasivo. O manejo da HSIL na gestação visa excluir invasão e, na maioria dos casos, o tratamento definitivo pode ser postergado para o puerpério, com acompanhamento rigoroso.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento adequado para sífilis gestacional com VDRL 1/32?

Para sífilis gestacional com VDRL 1/32, que sugere sífilis secundária ou latente tardia, o tratamento recomendado é penicilina benzatina 2.400.000 UI intramuscular, administrada em três doses semanais, totalizando 7.200.000 UI.

Como deve ser investigada uma HSIL em gestante?

Uma lesão intraepitelial de alto grau (HSIL) em gestante deve ser investigada com colposcopia. Se houver suspeita de lesão invasiva (câncer), a biópsia deve ser realizada, mesmo durante a gravidez, para confirmar o diagnóstico e planejar a conduta.

Quais os riscos de não tratar a sífilis na gestação?

A sífilis não tratada na gestação pode levar a graves complicações para o feto, incluindo abortamento, natimorto, prematuridade, sífilis congênita com malformações e sequelas neurológicas e ósseas.

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