Sífilis Gestacional: Diagnóstico e Tratamento no Pré-Natal

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Na consulta de pré-natal, a gestante de 23 anos traz os resultados dos exames que você solicitou e entre eles, o único alterado é o VDRL, que está 1:68. Ao exame físico, você não identifica nenhuma lesão genital, oral, anal, ou na pele. Qual a melhor conduta neste momento?

Alternativas

  1. A) Só tratar com penicilina Benzatina, após confirmação da sorologia no parceiro sexual.
  2. B) Já iniciar tratamento como sífilis primária, com penicilina Benzatina, em aplicação única.
  3. C) Iniciar o tratamento como sífilis latente, com penicilina Benzatina, por três semanas.
  4. D) Solicitar TPHA da gestante e só depois de confirmar, iniciar o tratamento com penicilina Benzatina.

Pérola Clínica

Gestante VDRL 1:68 sem lesões → Sífilis latente = Penicilina Benzatina 3 semanas.

Resumo-Chave

Em gestantes, um VDRL reagente com título alto (como 1:68) e sem lesões clínicas evidentes sugere sífilis latente. O tratamento deve ser iniciado prontamente com penicilina benzatina por 3 semanas para prevenir a sífilis congênita, mesmo antes da confirmação com TPHA, devido à urgência da situação na gestação.

Contexto Educacional

A sífilis gestacional representa um grave problema de saúde pública devido ao alto risco de transmissão vertical e suas consequências devastadoras para o feto e o recém-nascido, caracterizando a sífilis congênita. A prevalência da sífilis em gestantes no Brasil tem se mantido elevada, tornando o rastreamento e tratamento adequados no pré-natal uma prioridade. O diagnóstico precoce e a intervenção terapêutica são cruciais para a prevenção. O diagnóstico da sífilis na gestação baseia-se em testes sorológicos. Inicialmente, um teste não treponêmico (VDRL ou RPR) é realizado. Se reagente, deve ser confirmado por um teste treponêmico (TPHA ou FTA-Abs). No entanto, em gestantes, diante de um VDRL reagente com título significativo e sem lesões evidentes, a conduta é iniciar o tratamento como sífilis latente de tempo indeterminado, mesmo antes da confirmação com TPHA, devido à urgência. A ausência de lesões ativas descarta sífilis primária ou secundária. O tratamento de escolha para sífilis em gestantes é a penicilina benzatina. Para sífilis latente de tempo indeterminado, o esquema recomendado é de 3 doses semanais de 2.400.000 UI, totalizando 7.200.000 UI. É fundamental tratar a gestante e seu parceiro simultaneamente para evitar a reinfecção. O monitoramento pós-tratamento com VDRL é essencial para avaliar a resposta terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar sífilis latente em gestantes?

A sífilis latente em gestantes é diagnosticada pela presença de testes não treponêmicos (VDRL/RPR) reagentes, sem sinais ou sintomas clínicos de sífilis primária ou secundária, e sem história de tratamento prévio adequado.

Por que o tratamento da sífilis em gestantes é urgente?

O tratamento é urgente para prevenir a transmissão vertical da sífilis para o feto, que pode resultar em sífilis congênita, causando aborto, natimorto, prematuridade ou sequelas graves no recém-nascido.

Qual a diferença entre sífilis latente recente e tardia na gestação?

A sífilis latente recente é diagnosticada até um ano após a infecção, enquanto a tardia é após um ano ou quando o tempo de infecção é desconhecido. O tratamento para sífilis latente tardia (ou tempo indeterminado) em gestantes é com penicilina benzatina em 3 doses semanais.

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