AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023
Primigesta com 38 semanas de idade gestacional é admitida no Centro Obstétrico. Realizou seis consultas pré-natais e não apresenta histórico de doenças prévias. Com 14 semanas de idade gestacional, apresentou VDRL de 1:64, tendo recebido três doses de Penicilina Benzatina, 2.400.000UI, com intervalo de uma semana entre cada dose. Parceiro não tratou sífilis por ter VDRL não reagente. Com 30 semanas de idade gestacional, apresentou título de VDRL de 1:16. Na admissão apresentava título de VDRL de 1:8. O parto foi vaginal e o recém-nascido (RN) é assintomático ao exame físico. Nesse caso, é correto presumir que se trata de mãe com sífilis:
Sífilis gestacional: tratamento adequado = queda VDRL ≥ 2 diluições ou VDRL < 1:4. RN assintomático, mãe tratada adequadamente → VDRL RN.
A sífilis na gestação exige tratamento rigoroso e acompanhamento dos títulos de VDRL. A queda de 2 diluições ou mais no VDRL materno após o tratamento é um critério de cura. Para o RN, a avaliação inclui VDRL e, se reagente, a titulação deve ser comparada com a materna para definir a necessidade de tratamento.
A sífilis na gestação é um grave problema de saúde pública, com potencial para causar sífilis congênita, uma condição devastadora para o recém-nascido. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da gestante são pilares fundamentais para a prevenção. O acompanhamento sorológico com VDRL é essencial para monitorar a resposta ao tratamento. O tratamento da sífilis na gestação é considerado adequado quando a gestante recebe a dose correta de penicilina benzatina para o estágio da doença, o parceiro sexual é tratado simultaneamente e há uma resposta sorológica satisfatória, geralmente definida como uma queda de pelo menos duas diluições no VDRL materno após 3 meses do tratamento ou VDRL < 1:4. A ausência de qualquer um desses critérios configura tratamento inadequado. Para o recém-nascido de mãe com sífilis, a conduta depende do tratamento materno e da avaliação clínica e laboratorial do RN. Mesmo em RNs assintomáticos, a solicitação de VDRL em sangue periférico é obrigatória. Se o VDRL do RN for reagente e a titulação for pelo menos duas vezes maior que a materna, ou se houver qualquer evidência clínica ou laboratorial de sífilis congênita, o tratamento com penicilina cristalina é indicado.
O tratamento é considerado adequado se a gestante recebeu penicilina benzatina conforme o estágio da doença, o parceiro foi tratado e houve queda de pelo menos duas diluições no VDRL materno após 3 meses ou VDRL < 1:4.
Para um RN assintomático, deve-se solicitar VDRL em sangue periférico. O tratamento com penicilina cristalina é indicado se o VDRL do RN for reagente com titulação pelo menos 2X maior que a materna.
O tratamento do parceiro é fundamental para evitar a reinfecção da gestante, garantindo a eficácia do tratamento materno e prevenindo a sífilis congênita.
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