Sífilis na Gestação: Tratamento e Prevenção da Sífilis Congênita

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020

Enunciado

Primigesta, com VDRL negativo no 1º trimestre, recebeu resultado de VDRL 1/64 na 29ª semana gestacional. Informa ter parceiro fixo e ser alérgica à penicilina, razão pela qual recebeu eritromicina via oral por 14 dias, com aderência adequada. O parceiro foi tratado com Penicilina Benzatina. O resultado do VDRL de controle da gestante após 4 semanas foi 1/32. A ultrassonografia obstétrica com 36 semanas evidenciou feto sem alterações, peso adequado para idade gestacional e quantidade de líquido amniótico normal. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Tratamentos com outras drogas que não a penicilina são considerados adequados, e a queda do VDRL e a ultrassonografia normal são sinais que não houve transmissão vertical
  2. B) Tratamentos com outras drogas que não a penicilina são considerados inadequados na gravidez e o recém-nascido deve ser considerado como de risco para sífilis congênita
  3. C) Como a paciente e o parceiro referem aderência ao tratamento e houve queda dos títulos, o tratamento do recém-nascido vai depender dos exames neonatais
  4. D) No caso de gestantes alérgicas, deve-se oferecer tratamento com eritromicina e realizar seguimento sorológico e ultrassonográfico para documentar a eficácia do tratamento materno e fetal
  5. E) O tratamento de escolha na gravidez é a penicilina, mas outras medicações podem ser utilizadas no caso de alergia, com boa eficácia na prevenção da sífilis congênita

Pérola Clínica

Sífilis gestacional: Penicilina é o único tratamento comprovadamente eficaz para prevenir sífilis congênita; alergia exige dessensibilização.

Resumo-Chave

O tratamento da sífilis na gestação, mesmo em alérgicas à penicilina, deve ser feito com penicilina após dessensibilização, pois é a única droga com eficácia comprovada na prevenção da sífilis congênita. Outros esquemas, como a eritromicina, não atravessam a barreira placentária de forma eficaz para tratar o feto, tornando o tratamento inadequado e o recém-nascido de risco.

Contexto Educacional

A sífilis na gravidez é um grave problema de saúde pública, com potencial de transmissão vertical e consequências devastadoras para o feto, resultando em sífilis congênita. A triagem sorológica precoce e o tratamento adequado são fundamentais para a prevenção. O VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) é um teste não treponêmico utilizado para rastreamento e monitoramento da atividade da doença. O tratamento da sífilis em gestantes é um dos pilares da prevenção da sífilis congênita. A penicilina é a única droga com eficácia comprovada para tratar a mãe e prevenir a infecção fetal, pois atinge concentrações treponemicidas no líquido amniótico e no feto. Mesmo em casos de alergia à penicilina, a dessensibilização deve ser realizada para permitir o uso da penicilina, pois alternativas como a eritromicina não são eficazes na prevenção da sífilis congênita, uma vez que não atravessam a placenta em níveis suficientes para tratar o feto. No caso apresentado, a gestante foi tratada com eritromicina devido à alergia à penicilina. No entanto, esse tratamento é considerado inadequado para prevenir a sífilis congênita. A queda dos títulos de VDRL materno não garante a cura fetal, e a ultrassonografia normal não exclui a infecção congênita. Portanto, o recém-nascido de uma mãe tratada com eritromicina deve ser considerado de risco para sífilis congênita e receber tratamento empírico após o nascimento, conforme os protocolos de saúde.

Perguntas Frequentes

Qual é o tratamento de escolha para sífilis na gestação?

O tratamento de escolha é a penicilina benzatina, independentemente do estágio da sífilis. É a única droga com eficácia comprovada na prevenção da sífilis congênita.

Como proceder em gestantes alérgicas à penicilina com sífilis?

Em gestantes alérgicas à penicilina, deve-se realizar a dessensibilização à penicilina e, em seguida, administrar o tratamento com penicilina. Outras drogas não são consideradas adequadas para prevenir a sífilis congênita.

Por que a eritromicina não é eficaz para prevenir a sífilis congênita?

A eritromicina e outros macrolídeos não atravessam a barreira placentária em concentrações treponemicidas suficientes para tratar o feto, o que significa que, mesmo que a mãe seja tratada, o feto permanece em risco de sífilis congênita.

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