UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019
Gestante de 23 anos, com 26 semanas de gravidez, foi diagnosticada com sífilis na 9ª semana de gestação (exame treponêmico reagente e VDRL reagente com título de 1/128). Tem comprovante de que seu tratamento e do parceiro foram realizados adequadamente. O acompanhamento póstratamento é apresentado no quadro a seguir. A conduta recomendada é
Gestante com sífilis e falha terapêutica ou reinfecção → retratar com penicilina benzatina e investigar neurossífilis.
A persistência de títulos elevados de VDRL ou a ausência de queda de 2 diluições em 3 meses após o tratamento inicial, ou ainda a reinfecção, indicam falha terapêutica. Nesses casos, é mandatório o retratamento e a investigação de neurossífilis, especialmente se houver suspeita de sífilis terciária ou sintomas neurológicos.
A sífilis na gestação é uma condição grave que pode levar à sífilis congênita, com altas taxas de morbimortalidade fetal e neonatal. O diagnóstico e tratamento precoces são cruciais. O acompanhamento sorológico pós-tratamento é fundamental para monitorar a resposta terapêutica e identificar falhas ou reinfecções, que exigem condutas específicas para proteger o feto e a mãe. A identificação de sífilis na gestação, mesmo que tratada, requer vigilância contínua devido ao risco de reinfecção ou falha terapêutica, que pode levar a desfechos adversos para o bebê.A falha terapêutica é definida pela ausência de queda de pelo menos duas diluições nos títulos de VDRL após três meses do tratamento, ou por um aumento de duas diluições, indicando reinfecção. Nesses cenários, a investigação de neurossífilis através da punção lombar torna-se imperativa, pois a presença de sífilis no sistema nervoso central exige um regime de tratamento mais intensivo e prolongado, geralmente com penicilina cristalina intravenosa. A não investigação pode resultar em tratamento inadequado e progressão da doença.O manejo da sífilis na gestação é um desafio complexo que exige conhecimento aprofundado dos critérios de diagnóstico, tratamento e acompanhamento. A penicilina benzatina é o tratamento de escolha, mas a dose e a duração variam conforme o estágio da doença e a resposta ao tratamento. A prevenção da sífilis congênita depende diretamente da adesão a esses protocolos rigorosos, garantindo a saúde da mãe e do recém-nascido.
O retratamento é indicado se houver aumento de 2 diluições nos títulos de VDRL, ausência de queda de 2 diluições em 3 meses após o tratamento inicial, ou evidência de reinfecção. A documentação inadequada do tratamento do parceiro também pode justificar o retratamento.
A punção lombar é indicada em gestantes com sífilis que apresentam falha terapêutica, reinfecção, sinais ou sintomas neurológicos ou oftalmológicos, ou evidência de sífilis terciária. É fundamental para guiar o tratamento adequado.
A dose total para retratamento da sífilis na gestação, na ausência de neurossífilis, é de 7.200.000 UI de penicilina benzatina, administrada em três doses semanais de 2.400.000 UI. Se houver neurossífilis, o tratamento é diferente, com penicilina cristalina intravenosa.
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