Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Uma primigesta com nove semanas de gestação iniciou acompanhamento em pré-natal de alto risco por apresentar antecedente de lúpus eritematoso sistêmico. No retorno, com exames, seu VDRL era de 1/64. Refere apenas um parceiro sexual nos últimos dois anos. Nega antecedentes de IST. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada.
VDRL alto em gestante com LES → Confirmar com teste treponêmico; se positivo, tratar com penicilina benzatina e testar parceiro.
Um VDRL reagente em gestante, especialmente com LES (que pode causar falso-positivos), exige confirmação com teste treponêmico. Se confirmado sífilis, o tratamento imediato com penicilina benzatina é mandatório para prevenir a sífilis congênita, e o parceiro também deve ser testado e tratado.
A sífilis na gestação é uma condição de saúde pública grave, com potencial para causar sífilis congênita, que pode levar a aborto, natimorto, prematuridade e diversas sequelas no recém-nascido. O rastreamento precoce e o tratamento adequado são essenciais. O diagnóstico inicial é feito com testes não-treponêmicos, como o VDRL. No entanto, em pacientes com doenças autoimunes, como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), o VDRL pode apresentar resultados falso-positivos devido à presença de autoanticorpos. Diante de um VDRL reagente em uma gestante, especialmente com LES, a conduta primordial é a realização de um teste treponêmico (FTA-Abs ou TP-HA) para confirmar a infecção. Se o teste treponêmico for positivo, confirmando a sífilis, o tratamento com penicilina benzatina deve ser iniciado imediatamente, sendo o único antibiótico com eficácia comprovada na prevenção da sífilis congênita. É igualmente crucial testar e tratar o parceiro sexual para evitar a reinfecção. Residentes devem estar aptos a diferenciar um falso-positivo de uma infecção real e a conduzir o tratamento de forma ágil e eficaz, dada a urgência e as graves consequências da sífilis congênita.
Testes não-treponêmicos (VDRL, RPR) detectam anticorpos contra lipídios liberados por células danificadas e pelo Treponema pallidum, sendo úteis para rastreamento e monitoramento de tratamento. Testes treponêmicos (FTA-Abs, TP-HA) detectam anticorpos específicos contra o Treponema pallidum, sendo usados para confirmar o diagnóstico de sífilis.
Pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) podem produzir autoanticorpos, incluindo anticorpos antifosfolipídios, que reagem com os antígenos lipídicos utilizados nos testes não-treponêmicos (VDRL), levando a resultados falso-positivos. Por isso, a confirmação com um teste treponêmico é essencial.
A penicilina benzatina é o tratamento de escolha para sífilis em gestantes, independentemente do estágio da doença, devido à sua eficácia comprovada na prevenção da sífilis congênita. A dose e o esquema variam conforme o estágio da sífilis materna.
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