CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Gestante sem comorbidades, na triagem do 1º trimestre, apresenta teste rápido treponêmico para sífilis (TR) reagente. Refere nunca ter recebido tratamento prévio. Qual a conduta inicial mais adequada?
Gestante + Teste Rápido (+) + Sem tratamento prévio = Tratar imediatamente com Penicilina.
Na gestação, a prioridade é a prevenção da sífilis congênita; um teste treponêmico positivo sem histórico de tratamento exige início imediato da terapia.
A sífilis na gestação é um problema crítico de saúde pública. O diagnóstico baseia-se em testes treponêmicos (mais sensíveis e precoces) e não treponêmicos (úteis para seguimento e atividade de doença). Em gestantes, a estratégia 'testar e tratar' é mandatória para reduzir a incidência de sífilis congênita, que pode causar abortamento, óbito fetal e malformações irreversíveis. A penicilina benzatina é a única droga eficaz para tratar o feto transplacentariamente. Qualquer atraso no tratamento ou uso de esquemas não baseados em penicilina é considerado tratamento inadequado para fins de vigilância epidemiológica do recém-nascido. O parceiro também deve ser testado e tratado simultaneamente para evitar a reinfecção da gestante.
Devido ao alto risco de transmissão vertical e às graves sequelas da sífilis congênita, o Ministério da Saúde recomenda o tratamento imediato de qualquer gestante com teste treponêmico (como o teste rápido) reagente que não tenha registro de tratamento anterior adequado. A agilidade no tratamento é o fator determinante para considerar a gestante adequadamente tratada antes do parto.
Para casos de sífilis latente de duração ignorada ou sífilis terciária, o esquema preconizado é a Penicilina G Benzatina 2,4 milhões UI, via intramuscular, semanalmente, por 3 semanas (total de 7,2 milhões UI). Se for sífilis primária, secundária ou latente recente, uma dose única de 2,4 milhões UI pode ser suficiente, mas na dúvida diagnóstica, trata-se como latente tardia.
O seguimento é realizado mensalmente através de testes não treponêmicos (VDRL). O objetivo é observar a queda dos títulos. O tratamento é considerado bem-sucedido se houver queda de pelo menos dois títulos (ex: de 1:32 para 1:8) em até seis meses. Na gestante, o controle mensal é rigoroso para detectar possíveis reinfecções precocemente e garantir a saúde fetal.
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