Manejo da Sífilis na Gestação e Tratamento do Parceiro

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Uma mulher com 25 anos de idade, gestante, em consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde (UBS), recebe o diagnóstico de sífilis. O médico solicita a ela a presença do marido a uma consulta para exames e o devido tratamento, mas a paciente afirma ao médico que o marido sempre se recusa a comparecer à UBS. Nessa situação, a conduta adequada a ser tomada é

Alternativas

  1. A) Tratar a paciente imediatamente e solicitar apoio dos seus familiares para obrigar o marido da paciente a comparecer à UBS e realizar o tratamento logo que possível.
  2. B) Tratar a paciente imediatamente e enviar um comunicado sigiloso, por escrito, convocando o marido da paciente à UBS e, se ele não comparecer à consulta em 7 dias, realizar busca ativa.
  3. C) Aguardar a presença do marido da paciente à UBS para realizar consulta médica, exames laboratoriais e instituir o tratamento do casal simultaneamente.
  4. D) Aguardar a presença do marido da paciente à UBS para instituir o tratamento do casal e, caso ele não compareça espontaneamente à consulta, solicitar novamente seu comparecimento na próxima consulta da paciente ao pré-natal.

Pérola Clínica

Sífilis na gestação → Tratar paciente IMEDIATAMENTE + Convocar parceiro com busca ativa se necessário.

Resumo-Chave

O tratamento da gestante com sífilis é prioridade absoluta para evitar transmissão vertical; o parceiro deve ser convocado de forma sigilosa e, em caso de ausência, a busca ativa é a conduta preconizada.

Contexto Educacional

A sífilis na gestação é uma emergência de saúde pública devido ao risco de abortamento, óbito fetal e sequelas graves no recém-nascido. A conduta médica deve ser ágil: o tratamento com penicilina benzatina deve começar no momento do diagnóstico. A abordagem do parceiro é um desafio ético e operacional; o sigilo deve ser mantido, mas a saúde coletiva e a proteção do feto justificam medidas de busca ativa. A legislação e os protocolos do Ministério da Saúde enfatizam que a responsabilidade pelo controle da sífilis é da atenção primária. A busca ativa, realizada por agentes comunitários de saúde ou enfermeiros, é uma ferramenta essencial quando a comunicação passiva falha, garantindo que o ciclo de reinfecção seja interrompido.

Perguntas Frequentes

O que define um tratamento adequado para sífilis na gestante?

Para ser considerado adequado e evitar o tratamento do recém-nascido como sífilis congênita, a gestante deve: 1) Ser tratada com Penicilina Benzatina; 2) Iniciar o tratamento até 30 dias antes do parto; 3) Completar o esquema terapêutico adequado para o estágio da doença; 4) Ter o parceiro tratado concomitantemente (embora este último critério tenha sido flexibilizado em protocolos recentes para fins de definição de caso, na prática clínica o tratamento do parceiro é vital para evitar reinfecção).

Como deve ser feita a convocação do parceiro sexual?

A convocação deve ser feita de maneira ética e sigilosa. O médico pode fornecer uma carta ou comunicado por escrito para que a paciente entregue ao parceiro, ou a unidade de saúde pode entrar em contato diretamente. Caso o parceiro não compareça em um prazo determinado (geralmente 7 dias), a equipe de saúde da família deve realizar a busca ativa para garantir o diagnóstico e tratamento, quebrando a cadeia de transmissão.

Pode-se tratar o parceiro sem exames prévios?

Sim. Devido ao alto risco de reinfecção da gestante e às consequências graves da sífilis congênita, o Ministério da Saúde recomenda o tratamento empírico do parceiro sexual de gestantes com sífilis, independentemente de resultados laboratoriais imediatos, especialmente se houver dificuldade de retorno ou acompanhamento.

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