Sífilis na Gestação com Lúpus: Diagnóstico e Conduta

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 27 anos, G3P2 (último parto há 3 anos e todas as gestações do mesmo companheiro), com 30 semanas de gestação, portadora de lúpus eritematoso sistêmico, assintomática, trouxe à consulta os resultados dos seguintes exames: VDRL 1:8 e FTA-Abs reagente. O exame físico não revelou alterações. Não tinha história de tratamento para sífilis. Qual a conduta correta?

Alternativas

  1. A) Prescrever penicilina G benzatina 2,4 milhões de unidades intramuscular para a gestante.
  2. B) Prescrever penicilina G benzatina 7,2 milhões de unidades intramuscular para o casal.
  3. C) Não é necessário tratar, pois, devido ao lúpus, os exames se mostram falsamente positivos.
  4. D) Não é necessário tratar, pois o título de VDRL é baixo.

Pérola Clínica

Gestante com VDRL reagente + FTA-Abs reagente = Sífilis ativa. Tratar gestante e parceiro com Penicilina G benzatina.

Resumo-Chave

Gestante com VDRL reagente e FTA-Abs reagente, sem história de tratamento prévio, indica sífilis ativa, independentemente do título do VDRL. O lúpus eritematoso sistêmico pode causar VDRL falso-positivo, mas o FTA-Abs reagente confirma a infecção. O tratamento deve ser instituído para a gestante e o parceiro para prevenir sífilis congênita.

Contexto Educacional

A sífilis na gestação é uma condição de saúde pública grave, com potencial para causar sífilis congênita, uma doença com alta morbimortalidade para o feto e o recém-nascido. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais. A triagem é feita com testes não treponêmicos (VDRL ou RPR) e confirmada por testes treponêmicos (FTA-Abs ou TP-PA). No caso de gestantes com doenças autoimunes como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), o VDRL pode apresentar resultados falso-positivos devido à presença de anticorpos antifosfolipídios. No entanto, a presença de um teste treponêmico (FTA-Abs) reagente, em conjunto com um VDRL reagente e sem história de tratamento prévio, confirma a infecção por sífilis, independentemente do título do VDRL. A conduta correta para sífilis em gestantes é sempre o tratamento com penicilina G benzatina, que é o único antibiótico com eficácia comprovada na prevenção da sífilis congênita. O esquema terapêutico varia conforme a fase da sífilis, mas é imperativo tratar a gestante e seu(s) parceiro(s) sexual(is) simultaneamente para evitar a reinfecção. A falha no tratamento ou a reinfecção levam à necessidade de retratamento e aumentam o risco de sífilis congênita.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar sífilis ativa de cicatriz sorológica na gestação?

A sífilis ativa é confirmada por um teste treponêmico (FTA-Abs ou TP-PA) reagente e um teste não treponêmico (VDRL ou RPR) reagente com título significativo ou ascendente. Uma cicatriz sorológica geralmente apresenta teste treponêmico reagente e teste não treponêmico não reagente ou com títulos muito baixos e estáveis após tratamento adequado.

Por que o tratamento do parceiro é crucial na sífilis gestacional?

O tratamento do parceiro é fundamental para evitar a reinfecção da gestante, o que comprometeria a eficácia do tratamento e aumentaria o risco de sífilis congênita. O tratamento deve ser simultâneo e adequado à fase da sífilis do parceiro.

Qual o esquema de tratamento para sífilis em gestantes?

O tratamento de escolha para sífilis em gestantes é a penicilina G benzatina. A dose e o número de aplicações dependem da fase clínica da sífilis (primária, secundária, latente precoce ou latente tardia/duração ignorada). Para sífilis latente tardia ou de duração ignorada, o esquema é de 7,2 milhões de unidades, divididas em 3 doses de 2,4 milhões de unidades, com intervalo de uma semana.

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