UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024
Secundigesta, 28 anos de idade, parto anterior no termo. Primeira consulta em UBS com diagnóstico de gravidez tópica de 8 semanas. Realizado teste rápido para sífilis, com resultado positivo. No cartão pré-natal da gestação anterior encontra-se anotado o diagnóstico de sífilis e tratamento feito com Penicilina Benzatina, 7.200.000 UI. Feito seguimento sorológico, há 6 meses, com VDRL de 1:2. Qual é a conduta mais indicada?
Gestante com sífilis prévia tratada: VDRL atual é crucial para diferenciar reinfecção de cicatriz sorológica.
Em gestantes com histórico de sífilis tratada, um teste rápido positivo e um VDRL prévio baixo (1:2) podem indicar uma cicatriz sorológica. No entanto, para descartar reinfecção ou falha terapêutica, é imperativo solicitar um novo VDRL. A comparação dos títulos é essencial: um aumento de 4 vezes ou mais indica doença ativa e necessidade de tratamento, enquanto títulos estáveis e baixos sugerem cicatriz sorológica.
A sífilis na gravidez é uma condição de saúde pública grave devido ao risco de transmissão vertical e desenvolvimento de sífilis congênita, que pode levar a aborto, natimorto, prematuridade e sequelas graves no recém-nascido. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da gestante são fundamentais para prevenir essas complicações. A prevalência da sífilis gestacional tem sido um desafio persistente no Brasil. O diagnóstico da sífilis na gestação baseia-se em testes rápidos (treponêmicos) e testes laboratoriais (treponêmicos e não treponêmicos como o VDRL). Um teste rápido positivo sempre exige confirmação e avaliação da atividade da doença. Em gestantes com histórico de sífilis tratada, é crucial diferenciar uma reinfecção de uma cicatriz sorológica, que é a persistência de títulos baixos de VDRL após tratamento eficaz. A conduta inicial é sempre solicitar um novo VDRL para comparar com os títulos anteriores e avaliar a variação. Se o novo VDRL indicar reinfecção (aumento de 4 vezes no título), o tratamento com penicilina benzatina deve ser instituído imediatamente, seguindo o esquema adequado ao estágio da doença. Se os títulos permanecerem baixos e estáveis, e o tratamento anterior foi adequado, considera-se cicatriz sorológica e não há necessidade de retratamento. O seguimento sorológico pós-tratamento é essencial para monitorar a resposta terapêutica e identificar possíveis falhas ou reinfecções futuras, com VDRL mensal até o parto.
A diferenciação é feita pela comparação dos títulos do VDRL. Um aumento de pelo menos quatro vezes no título (ex: de 1:2 para 1:8) sugere reinfecção ou falha terapêutica. Títulos baixos e estáveis (ex: 1:1 ou 1:2) por mais de um ano após tratamento adequado indicam cicatriz sorológica.
Se houver suspeita de reinfecção (aumento de 4x no VDRL), a gestante deve ser tratada imediatamente com penicilina benzatina, conforme o estágio da sífilis, para prevenir a sífilis congênita. O parceiro também deve ser investigado e tratado.
O FTA-Abs (e outros testes treponêmicos) geralmente permanece reagente por toda a vida após a infecção, mesmo após tratamento eficaz. Ele indica exposição prévia ao *Treponema pallidum*, mas não reflete a atividade da doença ou a resposta ao tratamento, ao contrário dos testes não treponêmicos como o VDRL.
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