HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023
Mulher de 36 anos de idade, primigesta, com idade gestacional de 38 semanas, é admitida na unidade de emergência com queixa de saída de secreção vaginal líquida há 3 horas e contrações irregulares. Ao exame clínico, apresenta dinâmica uterina de 2 contrações de 45 segundos em 10 minutos, líquido claro coletado em fundo de saco posterior visualizado em exame especular e toque vaginal com 5cm de dilatação cervical. À inspeção vulvar, são visualizadas lesões vesiculares e ulceradas, intensamente dolorosas, que segundo a paciente surgiram há 2 dias. Também relatou história de quadro semelhante anteriormente à gestação. A sorologia para HIV foi negativa e o VDRL foi de 1:8. A paciente nega ter realizado qualquer tratamento previamente. Qual é a conduta que deve ser adotada em relação ao resultado das sorologias?
VDRL reagente na gestação sem tratamento prévio documentado = Tratamento imediato com Penicilina Benzatina.
Diante de um VDRL positivo (1:8) em paciente sem histórico de tratamento, a conduta é iniciar a terapêutica para sífilis imediatamente para prevenir a sífilis congênita.
A sífilis gestacional permanece um grave desafio de saúde pública no Brasil. O diagnóstico é baseado em testes não treponêmicos (VDRL) e confirmado por testes treponêmicos. Contudo, na admissão para o parto, qualquer título reagente em paciente não tratada ou com tratamento inadequado impõe o início imediato da penicilina benzatina. O objetivo primordial é a redução da carga treponêmica materna e a proteção do neonato. Além disso, o manejo de coinfecções ou outras ISTs, como o herpes genital mencionado no caso, deve ser simultâneo. No caso do herpes, a presença de lesões vesiculares ativas no canal de parto é uma indicação clássica de cesariana, mas isso não retarda o início do tratamento para sífilis, que visa prevenir as sequelas multissistêmicas da infecção congênita.
A penicilina benzatina é o único tratamento eficaz para prevenir a transmissão vertical e tratar o feto. O esquema (dose única ou três doses) depende do estágio da sífilis ou da duração desconhecida da infecção.
Na ausência de tratamento prévio documentado, qualquer título de VDRL reagente deve ser considerado como sífilis ativa na gestante e tratado imediatamente para mitigar os riscos de sífilis congênita no neonato.
Não. Embora o herpes genital ativo no momento do parto possa indicar a necessidade de cesariana para evitar a transmissão do HSV, o tratamento da sífilis com antibióticos deve ocorrer de forma independente e imediata.
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