SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2024
Leia o caso clínico a seguir.Paciente, sexo feminino, gestante de 16 semanas e teve VDRL positivo, com titulação de 1/4. Relata ter realizado pré-natal adequadamente e ter tratado sífilis corretamente há 2 anos, na primeira gestação. Trouxe o cartão da mamãe anterior com registro do tratamento realizado. No exame físico não foram encontrados sinais da doença.Qual é a melhor abordagem da paciente nesta consulta?
Gestante com VDRL positivo, mesmo com tratamento prévio e sem sinais, se há dúvida de reinfecção ou tratamento inadequado → retratar com 3 doses de Penicilina G Benzatina.
Em gestantes, a sífilis requer atenção máxima devido ao risco de sífilis congênita. Se houver qualquer dúvida sobre a adequação do tratamento anterior ou possibilidade de reinfecção, o retratamento é a conduta mais segura e recomendada para proteger o feto, mesmo com títulos baixos de VDRL.
A sífilis na gestação é um grave problema de saúde pública, com potencial devastador para o feto se não for diagnosticada e tratada adequadamente. A triagem sorológica (VDRL/RPR e teste treponêmico) é fundamental no pré-natal, devendo ser realizada na primeira consulta, no segundo e terceiro trimestres e no momento do parto. A interpretação dos resultados exige cautela, especialmente em casos de tratamento prévio. A fisiopatologia envolve a transmissão transplacentária do Treponema pallidum, que pode ocorrer em qualquer fase da gestação, mas é mais provável nas fases primária e secundária da doença materna. O diagnóstico se baseia na sorologia, e a presença de VDRL positivo, mesmo em baixos títulos, em uma gestante com histórico de tratamento, deve levantar a suspeita de reinfecção ou tratamento inadequado, especialmente se o parceiro não foi tratado ou se o seguimento sorológico foi deficiente. A conduta terapêutica para sífilis na gestação é sempre a Penicilina G Benzatina, a única droga com eficácia comprovada na prevenção da sífilis congênita. Em casos de sífilis latente tardia ou de duração ignorada, ou quando há dúvida sobre a reinfecção ou adequação do tratamento prévio, o esquema de 3 doses é o mais seguro. O tratamento adequado da gestante e do parceiro é crucial para interromper a cadeia de transmissão e garantir a saúde do bebê, sendo a notificação compulsória do caso à vigilância epidemiológica uma etapa essencial.
Uma gestante com sífilis tratada deve ser retratada se houver evidência de reinfecção (aumento de 2 ou mais diluições no VDRL), se o tratamento anterior foi inadequado, se o parceiro não foi tratado ou se houver qualquer dúvida sobre a eficácia do tratamento prévio ou seguimento sorológico.
O tratamento padrão para sífilis em gestantes é a Penicilina G Benzatina. Para sífilis primária, secundária ou latente recente, uma dose única de 2,4 milhões UI IM. Para sífilis latente tardia ou de duração ignorada, são 3 doses de 2,4 milhões UI IM, com intervalo de uma semana entre as doses.
A sífilis na gestação é uma preocupação crítica devido ao alto risco de transmissão vertical para o feto, resultando em sífilis congênita. Esta pode causar aborto espontâneo, natimorto, prematuridade, baixo peso ao nascer e uma série de manifestações graves no recém-nascido, incluindo malformações e sequelas neurológicas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo