UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019
Dione, 25 anos, grávida de 3 meses, foi ao PSF Jardim Das Flores fazer pré-natal. Na consulta com a médica de família, ela referiu ter tido tratamento adequado de sífilis primária há mais de 4 anos. O exame solicitado de VDRL deu positivo de 1/128. A partir das informações dadas, responda o item. Quais seriam as devidas condutas.
VDRL reagente na gestação sem prova de cura documentada = Tratamento imediato com Penicilina.
Títulos elevados (1/128) em gestantes com tratamento prévio sugerem reinfecção ou falha. O tratamento deve ser reiniciado imediatamente para prevenir a sífilis congênita.
A sífilis na gestação permanece um desafio crítico de saúde pública, exigindo vigilância rigorosa durante o pré-natal. O diagnóstico baseia-se em testes não treponêmicos (VDRL) e treponêmicos (Teste Rápido). Em gestantes, a conduta é agressiva: qualquer teste reagente sem histórico de tratamento documentado e queda de títulos deve ser tratado como sífilis ativa para proteger o feto. A penicilina benzatina é a única droga eficaz para atravessar a barreira placentária e tratar o feto. O monitoramento pós-tratamento é mensal com VDRL. A queda de dois títulos (ex: 1/128 para 1/32) em 3 a 6 meses indica resposta adequada. Falhas no tratamento do parceiro são a principal causa de reinfecção e persistência de títulos elevados.
O tratamento é considerado adequado quando realizado com penicilina benzatina, iniciado até 30 dias antes do parto, com esquema de doses correto para o estágio da doença e documentação de queda dos títulos de VDRL. Na ausência de documentação de tratamento prévio ou em casos de títulos crescentes (ou altos como 1/128), deve-se considerar reinfecção ou tratamento inadequado, procedendo com novo ciclo terapêutico completo conforme o estágio clínico presumido.
Para casos de sífilis latente tardia, latente de duração ignorada ou terciária, o esquema preconizado pelo Ministério da Saúde é a Penicilina G Benzatina 2,4 milhões UI, via intramuscular, semanalmente, por 3 semanas (total de 7,2 milhões UI). Em gestantes, o intervalo entre as doses não deve ultrapassar 7 a 9 dias; caso ocorra atraso, o esquema deve ser reiniciado obrigatoriamente.
Um título de 1/128 é considerado alto e, em uma paciente tratada há 4 anos, indica fortemente uma reinfecção ou falha terapêutica prévia. Na gestação, a prioridade absoluta é a prevenção da sífilis congênita. Portanto, independentemente do histórico, a paciente deve ser retratada imediatamente. O parceiro também deve ser testado e tratado simultaneamente para evitar reinfecções sucessivas.
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