HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024
Mulher de 25 anos de idade, está na sua terceira gestação (3G2Pn) com 15 semanas e 2 dias e comparece para consulta pré-natal de rotina na unidade básica de saúde. Seu último parto foi feito por via vaginal há 1 ano e meio, sem intercorrências. Relata ter história prévia de sífilis, tratada na gestação anterior, após apresentar teste rápido para sífilis positivo na triagem. Refere também que seu último filho ficou internado por algum tempo no hospital, mas que agora está saudável. Hoje, está assintomática e apresenta exames solicitados na consulta anterior que evidenciam um VDRL positivo com título de 1/64. A paciente está com o mesmo parceiro da última gestação, porém este não a acompanha em consultas médicas. Qual é a hipótese diagnóstica e a conduta que deve ser tomada neste momento?
Gestante com VDRL ↑ após tratamento prévio e parceiro não tratado → Reinfecção. Tratar com Penicilina Benz. 3 doses.
A elevação do título de VDRL após tratamento prévio, especialmente com parceiro não tratado, sugere reinfecção. A sífilis na gestação, independentemente do estágio, deve ser tratada com penicilina benzatina. A notificação compulsória e o tratamento do parceiro são essenciais para controle da doença e prevenção da sífilis congênita.
A sífilis na gestação é um grave problema de saúde pública, com potencial de causar sífilis congênita, uma condição que pode levar a desfechos perinatais adversos, como aborto, natimorto, prematuridade e sequelas graves no recém-nascido. O rastreamento e tratamento adequados são pilares do pré-natal. A epidemiologia da sífilis tem mostrado um aumento preocupante nos últimos anos. O diagnóstico é feito por testes treponêmicos (rápido, FTA-Abs) e não treponêmicos (VDRL, RPR). A interpretação do VDRL é crucial: títulos altos ou em ascensão indicam doença ativa. A história de tratamento prévio e a exposição a parceiro não tratado são fatores importantes para diferenciar reinfecção de falha terapêutica ou cicatriz sorológica. A reinfecção é caracterizada por um aumento significativo do título de VDRL após tratamento prévio. A conduta para sífilis na gestação, seja primária, secundária, latente ou reinfecção, é sempre a Penicilina Benzatina, que é o único antibiótico com comprovada eficácia na prevenção da sífilis congênita. O esquema varia conforme o estágio da doença, mas para reinfecção, geralmente são 3 doses de 2.400.000 UI, com intervalo semanal. É imperativo convocar e tratar o parceiro sexual, orientar o uso de preservativos e realizar a notificação compulsória para controle epidemiológico.
A reinfecção é sugerida por um aumento de pelo menos 4 vezes no título do VDRL (duas diluições, ex: 1:4 para 1:16) após tratamento adequado, ou um título alto persistente com nova exposição. Falha terapêutica é a ausência de queda do título ou aumento após tratamento.
Em caso de reinfecção, o tratamento é com Penicilina Benzatina 2.400.000 UI, administrada em 3 doses, com intervalo de uma semana entre as doses, totalizando 7.200.000 UI.
O tratamento do parceiro é fundamental para evitar a reinfecção da gestante e interromper a cadeia de transmissão da sífilis, protegendo a saúde materna e fetal e prevenindo a sífilis congênita.
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