HGNI - Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse) (RJ) — Prova 2015
Primigesta, 15 anos, vem para sua primeira consulta de pré-natal. Tem idade gestacional de 8 semanas. Nunca fez exame ginecológico. Traz exames laboratoriais solicitados pela enfermeira: 1) Toxoplasmose IgG e IgM: não reagentes; 2) VDRL: 1:16; 3) FTA-ABS: reagente; 4) Glicemia: 84. Considere as assertivas abaixo: I - A gestante necessita ser orientada para evitar contato com carne crua; II - A gestante tem sífilis, pois o FTA- ABS se fosse negativo descartaria a doença; III - O VDRL é muito sensível, podendo apresentar falso-positivo. Assinale a alternativa CORRETA:
Sífilis gestacional = VDRL reagente + FTA-ABS reagente. Toxoplasmose IgG/IgM não reagentes → orientar profilaxia.
A toxoplasmose IgG e IgM não reagentes indicam suscetibilidade, exigindo orientação profilática. O VDRL reagente (teste não treponêmico) e FTA-ABS reagente (teste treponêmico) confirmam sífilis. O VDRL, sendo sensível, pode ter falso-positivos, mas o FTA-ABS reagente valida o diagnóstico.
A sífilis e a toxoplasmose são infecções que, quando adquiridas durante a gestação, podem ter consequências devastadoras para o feto, resultando em sífilis congênita e toxoplasmose congênita, respectivamente. O rastreamento e diagnóstico precoce no pré-natal são fundamentais para instituir o tratamento adequado e prevenir essas complicações graves. A prevalência da sífilis congênita tem sido um desafio de saúde pública no Brasil. O diagnóstico da sífilis na gestação é estabelecido pela positividade de um teste não treponêmico (VDRL ou RPR) e confirmado por um teste treponêmico (FTA-ABS ou TP-HA). O VDRL, embora sensível, pode apresentar resultados falso-positivos, necessitando da confirmação. Já para a toxoplasmose, a ausência de anticorpos IgG e IgM indica suscetibilidade, exigindo orientação sobre medidas preventivas, como evitar carne crua ou malpassada, contato com fezes de gato e lavar bem frutas e vegetais. O manejo da sífilis na gestação envolve o tratamento com penicilina benzatina, sendo a dose e o esquema ajustados conforme o estágio da doença materna. A parceira sexual também deve ser testada e tratada. Para a toxoplasmose, a prevenção é a principal estratégia em gestantes suscetíveis. Em caso de soroconversão ou infecção aguda, o tratamento com espiramicina ou esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico) pode ser indicado, dependendo da idade gestacional e da confirmação da infecção fetal.
IgG e IgM não reagentes para toxoplasmose indicam que a gestante nunca teve contato com o parasita e está suscetível à infecção primária durante a gravidez. Isso exige rigorosas medidas de prevenção para evitar a toxoplasmose congênita.
O diagnóstico de sífilis na gestação é feito pela combinação de um teste não treponêmico (VDRL ou RPR) reagente e um teste treponêmico (FTA-ABS ou TP-HA) reagente. O teste treponêmico confirma a infecção, enquanto o não treponêmico monitora a atividade da doença e a resposta ao tratamento.
O VDRL pode apresentar falso-positivos em condições como doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico), outras infecções (mononucleose, malária, hepatites virais), vacinação recente, uso de drogas intravenosas e gravidez. Por isso, a confirmação com teste treponêmico é crucial.
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