HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023
Mulher de 32 anos de idade comparece à unidade básica de saúde com queixa de corrimento vaginal. Ela relata que, há 10 dias, iniciou com quadro de leucorreia esbranquiçada, grumosa e com odor desagradável, associada a prurido vaginal. Tem vida sexual ativa, sem parceiro fixo e com uso irregular de preservativo. Também notou o surgimento de algumas placas esbranquiçadas em mucosa oral. Há 5 dias procurou a unidade de emergência, onde foi prescrito uso de fluconazol oral e nistatina creme vaginal. Dois dias após o início das medicações, evoluiu com as lesões que podem ser vistas nas imagens a seguir. Fez uso de medicação antialérgica por conta própria sem melhora. Não possui outros antecedentes relevantes e não apresentou cartão vacinal, referindo não ter feito uso de vacinas desde a infância. No momento, mantém o quadro clínico. Foi realizado um teste rápido para sífilis, que foi positivo. Qual é a conduta que deve ser indicada neste momento?
Teste rápido treponêmico positivo + risco/sintomas → tratar sífilis imediatamente, solicitar VDRL para titulação.
Em pacientes com teste rápido treponêmico positivo (como o teste rápido para sífilis) e fatores de risco ou sintomas sugestivos, o tratamento para sífilis deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar o resultado do VDRL. O VDRL é solicitado para titulação e monitoramento da resposta ao tratamento.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, com manifestações clínicas variadas e que pode evoluir para formas graves se não tratada. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para interromper a cadeia de transmissão e prevenir complicações. A presença de corrimento vaginal (sugestivo de candidíase) e placas orais (que podem ser condiloma plano ou placas mucosas da sífilis secundária) em uma paciente com vida sexual ativa e teste rápido positivo para sífilis exige atenção imediata. Os testes para sífilis são divididos em treponêmicos (detectam anticorpos específicos, como o teste rápido e FTA-Abs) e não treponêmicos (detectam anticorpos inespecíficos, como o VDRL e RPR). Um teste treponêmico positivo, especialmente em um contexto clínico de risco ou sintomas, indica infecção. O tratamento com penicilina benzatina é a pedra angular da terapia. A conduta em casos de teste rápido positivo é iniciar o tratamento imediatamente, sem aguardar o VDRL. O VDRL é então solicitado para quantificar a titulação e servir como parâmetro para monitorar a resposta ao tratamento. A não realização do tratamento imediato pode levar a complicações sérias e à transmissão da doença, reforçando a importância de uma abordagem rápida e eficaz na prática clínica.
Diante de um teste rápido para sífilis positivo, que é um teste treponêmico, a conduta inicial deve ser o tratamento imediato para sífilis, especialmente se houver fatores de risco ou sintomas. Simultaneamente, deve-se solicitar o VDRL para titulação e acompanhamento da resposta terapêutica.
O tratamento não deve ser adiado para evitar a progressão da doença, suas complicações (como a neurossífilis) e a transmissão para parceiros sexuais ou, no caso de gestantes, para o feto (sífilis congênita). A penicilina benzatina é eficaz e o atraso pode ter consequências graves.
O VDRL é um teste não treponêmico, utilizado para triagem e monitoramento da atividade da doença e resposta ao tratamento, pois sua titulação diminui após o tratamento. O FTA-Abs, assim como o teste rápido, é um teste treponêmico, que detecta anticorpos específicos contra o Treponema pallidum e geralmente permanece positivo por toda a vida, sendo útil para confirmar o diagnóstico.
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