Sífilis Congênita: Conduta em RN de Mãe Inadequadamente Tratada

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é estimado que 25% das gestações de mulheres com sífilis em atividade resultem em óbito fetal e 25% de recém-nascidos com infecção grave ou baixo peso. No caso de recém-nascidos de mães inadequadamente tratadas, a conduta correta deve ser:

Alternativas

  1. A) se o RN apresentar VDRL positivo (qualquer titulação) e/ou existirem alterações clínicas e/ou alterações radiológicas e/ou alterações hematológicas com comprometimento neurológico, tratar com penicilina procaína 50.000 UI/kg/dose a cada 24 horas por 10 dias.
  2. B) se houver alteração liquórica ou não for possível colher o LCR, fazer penicilina cristalina EV por 10 dias, na dose de 50.000 UI/kg/dose a cada 12 horas na primeira semana de vida e a cada 8 horas após a primeira semana.
  3. C) se o RN for VDRL negativo, sem alterações clínicas, radiológicas, hematológicas ou liquóricas, não tratar e fazer o acompanhamento com exames de VDRL nos meses 1, 3, 6, 12 e 18 meses.
  4. D) isolar os recém-nascidos com VDRL positivo e titulação superior à titulação materna até 48 horas após o início da antibioticoterapia, mesmo que esteja em uso de penicilina cristalina na dose de 50.000 UI/kg/dose.
  5. E) o seguimento de recém-nascidos filhos de mães inadequadamente tratadas para sífilis é obrigatório pela possibilidade de recrudescência da doença em 14% e deve ser realizado bimestralmente no primeiro semestre e depois trimestralmente até 12 meses.

Pérola Clínica

RN de mãe inadequadamente tratada com LCR alterado ou não colhido → Penicilina cristalina EV por 10 dias.

Resumo-Chave

Em recém-nascidos de mães com sífilis inadequadamente tratada, a presença de alterações liquóricas ou a impossibilidade de realizar a punção lombar indica tratamento com penicilina cristalina intravenosa por 10 dias, devido ao risco de neurossífilis.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção grave transmitida verticalmente da mãe para o feto, com consequências devastadoras que incluem aborto, natimorto, prematuridade e manifestações clínicas graves no recém-nascido. A prevenção é feita pelo diagnóstico e tratamento adequado da gestante durante o pré-natal. A conduta no recém-nascido de mãe com sífilis depende do tratamento materno, da titulação do VDRL materno e do RN, e da avaliação clínica e laboratorial do bebê (hemograma, radiografia de ossos longos, LCR). Mães inadequadamente tratadas ou não tratadas representam alto risco para o RN. Se o recém-nascido de mãe inadequadamente tratada apresentar alterações liquóricas (LCR com pleocitose, proteinorraquia) ou se a punção lombar não puder ser realizada, o tratamento de escolha é a penicilina cristalina intravenosa por 10 dias, devido ao risco de neurossífilis. Em casos de VDRL positivo com alterações clínicas, radiológicas ou hematológicas, também se indica penicilina cristalina. O seguimento com VDRL é crucial para monitorar a resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento para sífilis congênita com LCR alterado?

Se o recém-nascido apresentar alterações liquóricas (LCR alterado) ou não for possível colher o LCR, o tratamento de escolha é a penicilina cristalina intravenosa, na dose de 50.000 UI/kg/dose, a cada 12 horas na primeira semana de vida e a cada 8 horas após a primeira semana, por 10 dias.

Quando tratar RN de mãe com sífilis inadequadamente tratada?

Recém-nascidos de mães inadequadamente tratadas para sífilis devem ser tratados se apresentarem VDRL positivo (qualquer titulação), alterações clínicas, radiológicas, hematológicas ou liquóricas, ou se a avaliação do LCR não for possível.

Qual a dose de penicilina cristalina para sífilis congênita?

A dose de penicilina cristalina para sífilis congênita é de 50.000 UI/kg/dose, administrada a cada 12 horas na primeira semana de vida e a cada 8 horas após a primeira semana, por um período de 10 dias, via intravenosa.

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