UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Menino, 3 meses de idade, vem apresentando irritabilidade constante e choro intenso à manipulação. Exame físico: regular estado geral, choroso, eupneico, descorado ++/4. Abdome com fígado palpável a 3 cm do rebordo costal (RC) direito e baço a 2 cm do RC esquerdo; sem outras alterações. Exame laboratorial: VDRL positivo 1/64. Conceitualmente, qual manifestação tardia da doença ele pode apresentar?
Sífilis congênita tardia: surdez neurossensorial, ceratite intersticial e dentes de Hutchinson são tríade clássica.
A sífilis congênita pode apresentar manifestações precoces (até 2 anos) ou tardias (após 2 anos). A deficiência auditiva neurossensorial é uma sequela comum e grave da sífilis congênita tardia, resultante da inflamação crônica do oitavo nervo craniano.
A sífilis congênita é uma doença infecciosa grave, transmitida da mãe para o feto durante a gestação, com alta morbimortalidade se não tratada. Sua prevalência ainda é um desafio de saúde pública, exigindo vigilância e tratamento adequados no pré-natal. A compreensão das suas diversas manifestações é crucial para o diagnóstico precoce e a prevenção de sequelas. Clinicamente, a sífilis congênita pode ser classificada em precoce (até 2 anos) ou tardia (após 2 anos). As manifestações precoces são mais sistêmicas, enquanto as tardias são sequelas de inflamação crônica. O diagnóstico baseia-se em achados clínicos, sorologia (VDRL, FTA-Abs) e, em alguns casos, exames complementares como líquor e radiografias ósseas. A suspeita deve ser alta em lactentes com hepatoesplenomegalia, anemia, lesões ósseas ou cutâneas e VDRL positivo. O tratamento é feito com penicilina, sendo a escolha e duração dependentes da idade do paciente e da extensão da doença. A profilaxia é a melhor abordagem, com rastreamento e tratamento da gestante. A deficiência auditiva neurossensorial é uma das manifestações tardias mais importantes, podendo levar a comprometimento significativo do desenvolvimento da criança e exigindo intervenção precoce.
As manifestações precoces da sífilis congênita, que surgem até os dois anos de idade, incluem hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar, rash maculopapular), osteocondrite (pseudoparalisia de Parrot), rinite sifilítica, anemia e icterícia.
A deficiência auditiva na sífilis congênita tardia é geralmente neurossensorial e pode ser unilateral ou bilateral, progressiva e de início insidioso. É uma das manifestações mais graves e incapacitantes, frequentemente parte da tríade de Hutchinson.
Um VDRL positivo em lactentes, especialmente com títulos elevados e em ascensão, é um forte indicativo de sífilis congênita. No entanto, é crucial correlacionar com a história materna e outras manifestações clínicas, pois anticorpos maternos podem ser transferidos passivamente.
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