SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2021
Recém-nascido a termo, de parto vaginal, com genitora sem acompanhamento de pré-natal, tem sorologias de admissão na maternidade: HIV negativo e VDRL 1:512. Ao exame físico, apresenta lesões penfigoides em palmas e plantas dos pés, além de icterícia +/4+ e hepatoesplenomegalia; VDRL sérico = 1:1024; raio X de ossos longos normal; liquor com pleocitose, aumento de proteinorraquia e VDRL negativo; hemograma com anemia e plaquetopenia. A conduta terapêutica preconizada, nesse caso, é receitar benzilpenicilina:
RN com VDRL alto, lesões penfigoides, hepatoesplenomegalia e alteração liquórica → Sífilis congênita sintomática com neurosífilis → Penicilina potássica IV por 10 dias.
A presença de manifestações clínicas como lesões penfigoides, icterícia, hepatoesplenomegalia, anemia e plaquetopenia, associadas a um VDRL sérico elevado no RN e alterações no líquor (pleocitose, proteinorraquia aumentada), configura o diagnóstico de sífilis congênita sintomática com envolvimento do sistema nervoso central. O tratamento padrão ouro para essa condição é a penicilina potássica (cristalina) IV por 10 dias.
A sífilis congênita é uma infecção sistêmica causada pelo Treponema pallidum, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. É uma condição prevenível com o adequado acompanhamento pré-natal e tratamento da gestante infectada. No entanto, a ausência de pré-natal ou tratamento inadequado da mãe pode levar a formas graves da doença no recém-nascido, com alta morbimortalidade. A sífilis congênita pode ser classificada como precoce (manifestações até os 2 anos) ou tardia (após os 2 anos), e também como assintomática ou sintomática. O diagnóstico da sífilis congênita no recém-nascido é complexo e envolve a avaliação dos títulos de VDRL materno e do RN, além da pesquisa de manifestações clínicas e laboratoriais. Um VDRL sérico do RN com título 4 vezes maior que o materno ou títulos elevados na presença de clínica sugestiva confirmam o diagnóstico. A investigação de neurosífilis é fundamental e inclui a análise do líquor cefalorraquidiano para pleocitose, proteinorraquia e VDRL. Lesões penfigoides, icterícia, hepatoesplenomegalia, anemia e plaquetopenia são sinais clássicos de sífilis congênita sintomática. O tratamento da sífilis congênita depende da presença de sintomas e do envolvimento do SNC. Para casos de sífilis congênita sintomática, especialmente com neurosífilis confirmada ou suspeita, a penicilina potássica (cristalina) intravenosa por 10 dias é o tratamento de escolha, devido à sua eficácia e capacidade de atingir concentrações terapêuticas no líquor. A penicilina procaína IM é reservada para situações específicas. O seguimento do RN após o tratamento é essencial para monitorar a resposta sorológica e o desenvolvimento.
As manifestações clínicas da sífilis congênita sintomática são variadas e podem incluir lesões cutâneas (penfigoides, pênfigo palmoplantar), hepatoesplenomegalia, icterícia, rinite sifilítica, osteocondrite, anemia, plaquetopenia e alterações do sistema nervoso central.
O diagnóstico de neurosífilis congênita é estabelecido pela presença de alterações no líquor, como pleocitose (>25 leucócitos/mm³ em RN a termo ou >5 leucócitos/mm³ em RN pré-termo), aumento da proteinorraquia (>150 mg/dL em RN a termo ou >170 mg/dL em RN pré-termo) e/ou VDRL reativo no líquor.
A penicilina procaína IM é utilizada para sífilis congênita assintomática ou com envolvimento ósseo sem neurosífilis. Já a penicilina potássica (cristalina) IV é a escolha para sífilis congênita sintomática, especialmente quando há suspeita ou confirmação de neurosífilis, devido à sua melhor penetração no SNC e à necessidade de doses mais elevadas e frequentes.
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