Sífilis Congênita: Interpretação VDRL e Seguimento Pediátrico

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023

Enunciado

Lactente do sexo masculino de 3 meses de idade chega para consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde. A mãe realizou prénatal adequado, sendo diagnosticada com sífilis primária no 6o mês de gestação; foi medicada com benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, intramuscular, dose única. A criança nasceu a termo, de parto vaginal, com peso de 3.050 g, comprimento de 50 cm e exame clínico normal. Na maternidade, o VDRL materno foi de 1:4 e do recém-nascido foi de 1:2. Hemograma, TGO, TGP, radiografia de ossos longos e torácica e análise liquórica da criança não apresentaram alterações. Recebeu alta hospitalar sem nenhum tratamento medicamentoso dirigido à sífilis. Na consulta ambulatorial realizada no 1o mês de vida, foi solicitado VDRL cujo resultado foi de 1:1. De acordo com o Protocolo Clínico para Sífilis Congênita do Ministério da Saúde, nesta consulta, o médico deverá

Alternativas

  1. A) encerrar seguimento laboratorial.
  2. B) solicitar exame de VDRL.
  3. C) prescrever penicilina benzatina.
  4. D) pedir Teste Treponêmico.

Pérola Clínica

VDRL neonatal com queda de títulos ≥ 2 diluições (ex: 1:2 para 1:1) ou negativado → Sugere sífilis congênita descartada, mas requer seguimento.

Resumo-Chave

A queda dos títulos de VDRL no lactente (de 1:2 para 1:1) é um bom sinal, mas não permite o encerramento imediato do seguimento. É crucial continuar monitorando o VDRL até a negativação ou estabilização em títulos baixos, para diferenciar anticorpos maternos passivos de infecção ativa.

Contexto Educacional

A sífilis congênita continua sendo um grave problema de saúde pública, com impactos devastadores no desenvolvimento infantil. O diagnóstico e manejo adequados no período neonatal e nos primeiros meses de vida são cruciais para prevenir sequelas. Residentes devem dominar o protocolo do Ministério da Saúde para sífilis congênita. No caso apresentado, a mãe foi tratada no 6º mês de gestação com dose única de penicilina benzatina para sífilis primária. Embora o tratamento tenha sido realizado, a dose única para sífilis primária é 2,4 milhões UI, e o tratamento deve ser iniciado pelo menos 30 dias antes do parto. O VDRL do RN (1:2) era menor que o materno (1:4), e houve queda para 1:1 no 1º mês. Essa queda é um bom sinal, mas não exclui a necessidade de seguimento. De acordo com o protocolo, mesmo com a queda dos títulos, o seguimento laboratorial com VDRL deve ser mantido mensalmente até o 6º mês de vida, e depois aos 12 e 18 meses, ou até a negativação. A persistência de títulos, mesmo baixos, após 6 meses ou a não negativação até os 18 meses, pode indicar sífilis congênita tardia e requer investigação e tratamento. Portanto, a conduta correta é solicitar novo VDRL.

Perguntas Frequentes

Quando o tratamento materno para sífilis é considerado adequado para prevenir sífilis congênita?

O tratamento materno é considerado adequado se realizado com penicilina benzatina, na dose e esquema corretos para o estágio da sífilis, iniciado pelo menos 30 dias antes do parto e com queda dos títulos de VDRL materno.

Qual a importância do VDRL seriado no seguimento de lactentes expostos à sífilis?

O VDRL seriado é crucial para diferenciar anticorpos maternos passivamente transferidos (que tendem a cair e negativar até os 6 meses) de uma infecção ativa por sífilis congênita (onde os títulos podem persistir, subir ou não negativar).

Quais são os critérios para considerar um caso de sífilis congênita como 'não tratada' ou 'tratamento inadequado'?

Um caso é considerado não tratado ou inadequadamente tratado se a mãe não foi tratada, o tratamento foi incompleto, o esquema foi inadequado, houve falha terapêutica, ou se o tratamento foi realizado menos de 30 dias antes do parto.

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