MedEvo Simulado — Prova 2026
Bernardo, um lactente de 45 dias de vida, é levado à consulta pediátrica porque a mãe percebeu que ele chora intensamente toda vez que ela tenta trocar suas fraldas ou movimentar suas pernas. A mãe relata que não realizou acompanhamento pré-natal e que o parto foi domiciliar. Ao exame físico, o médico observa que o bebê apresenta icterícia leve, hepatoesplenomegalia (fígado a 3 cm e baço a 2 cm do rebordo costal) e não movimenta espontaneamente os membros inferiores, embora apresente reflexos normais (pseudoparalisia). Não há sinais flogísticos externos nas articulações. Analise a imagem da radiografia de membros inferiores realizada para investigação do quadro. Com base no caso clínico e nos achados radiológicos, o diagnóstico mais provável e a conduta correta são, respectivamente:
Pseudoparalisia de Parrot + Hepatoesplenomegalia + Sem pré-natal → Sífilis Congênita.
A sífilis congênita precoce manifesta-se com alterações ósseas (osteocondrite/periostite) causando dor à movimentação (pseudoparalisia), exigindo investigação completa e tratamento com Penicilina G Cristalina.
A sífilis congênita resulta da disseminação hematogênica do Treponema pallidum da gestante infectada não tratada para o feto. O quadro clínico é variável, podendo ser assintomático ao nascimento ou apresentar manifestações precoces (até 2 anos) como rinite serossanguinolenta, lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar), hepatoesplenomegalia e as clássicas alterações ósseas. A radiografia de ossos longos é fundamental, revelando frequentemente osteocondrite, periostite e o sinal de Wimberger (erosão da metáfise tibial medial). O manejo exige internação para antibioticoterapia venosa por 10 dias, monitoramento de toxicidade e seguimento ambulatorial rigoroso com VDRL seriado para garantir a cura sorológica.
É a limitação da movimentação espontânea de um membro devido à dor intensa causada pela osteocondrite sifilítica, comum na sífilis congênita precoce. Diferencia-se de paralisias neurológicas pela preservação de reflexos e sensibilidade, sendo um sinal clínico clássico em lactentes com diagnóstico tardio ou sem tratamento intrauterino adequado.
A investigação inclui VDRL sérico (comparado ao materno), hemograma completo, radiografia de ossos longos (buscando periostite ou bandas metafisárias), avaliação do líquor (celularidade, proteínas e VDRL) e avaliação oftalmológica/auditiva. A presença de alterações em qualquer um desses exames direciona o tempo e o tipo de tratamento com penicilina.
A Penicilina G Cristalina é mandatória quando há alteração liquórica (neurosífilis) ou quando o recém-nascido é sintomático, garantindo níveis terapêuticos no sistema nervoso central. A Penicilina G Procaína pode ser usada em casos específicos sem alteração liquórica, mas a Cristalina é o padrão-ouro hospitalar para casos graves ou sintomáticos.
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