Sífilis Congênita: Diagnóstico e Achados Radiográficos Chave

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024

Enunciado

Lactente, sexo masculino, com 2 meses e 20 dias, é trazido ao ambulatório de Pediatria para consulta de puericultura. A mãe refere que há um mês a criança iniciou com coriza mucossanguinolenta e irritabilidade com choro fácil. Nasceu com 2200 g, com comprimento de 48 cm e perímetro cefálico de 35 cm. Ao exame físico verifica-se dor à mobilização de braço esquerdo com choro intenso, coriza mucossanguinolenta bilateral com erosões em lábio superior; há palidez cutâneo-mucosa ++/4+ e fígado a 3,5 cm do rebordo costal direito e 3,5 cm do apêndice xifoide. O baço está a 3 cm do rebordo costal esquerdo. Considerando a principal hipótese diagnóstica, quais são, respectivamente, o exame a ser solicitado e o resultado mais provável?

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada do crânio; velamento dos seios da face.
  2. B) Tomografia computadorizada do crânio; calcificações cranianas corticais.
  3. C) Tomografia computadorizada do crânio; microcefalia e suturas cranianas parcialmente fechadas.
  4. D) Radiografia de ossos longos; lesões osteolíticas em epífises e espessamento periostal.
  5. E) Fundoscopia; catarata congênita.

Pérola Clínica

Rinite mucossanguinolenta + pseudoparalisia de Parrot + hepatoesplenomegalia em lactente → Sífilis congênita.

Resumo-Chave

O quadro clínico do lactente (rinite mucossanguinolenta, irritabilidade, dor à mobilização de membro, hepatoesplenomegalia, baixo peso) é altamente sugestivo de sífilis congênita precoce. As alterações ósseas são achados clássicos e a radiografia de ossos longos é um exame chave.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção grave transmitida verticalmente da mãe para o feto, com consequências devastadoras se não diagnosticada e tratada precocemente. O quadro clínico apresentado pelo lactente, com rinite mucossanguinolenta, irritabilidade, dor à mobilização do braço (sugestivo de pseudoparalisia de Parrot devido a osteocondrite) e hepatoesplenomegalia, é clássico da sífilis congênita precoce. A fisiopatologia envolve a disseminação da bactéria *Treponema pallidum* para o feto, causando inflamação sistêmica. As manifestações ósseas são muito comuns e incluem osteocondrite, periostite e lesões osteolíticas, que podem ser dolorosas e levar à pseudoparalisia. A radiografia de ossos longos é um exame diagnóstico chave, revelando essas alterações características nas metáfises e diáfises dos ossos. O diagnóstico é confirmado por testes sorológicos (VDRL/RPR e FTA-Abs/TPHA) no lactente e na mãe. O tratamento é feito com penicilina, e a prevenção é primordial através do rastreamento e tratamento adequado da sífilis na gestante durante o pré-natal.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais clínicos da sífilis congênita precoce?

A sífilis congênita precoce (até 2 anos) pode manifestar-se com rinite mucossanguinolenta ("coriza sifilítica"), lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar, rash maculopapular), hepatoesplenomegalia, icterícia, anemia, linfadenopatia, osteocondrite e pseudoparalisia de Parrot.

Por que a radiografia de ossos longos é importante na sífilis congênita?

A radiografia de ossos longos é fundamental para detectar osteocondrite, periostite e lesões osteolíticas, que são achados patognomônicos da sífilis congênita, especialmente a pseudoparalisia de Parrot, causada por dor óssea.

Como a sífilis congênita é transmitida e prevenida?

A sífilis congênita é transmitida verticalmente da mãe para o feto durante a gestação. A prevenção é feita através do rastreamento sorológico da sífilis em todas as gestantes no pré-natal e tratamento adequado da mãe e parceiro, se infectados.

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