INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2023
Fernando tem dois meses e é trazido na consulta de pediatria pela mãe que faz as seguintes queixas: “Ele está muito magrinho. Toda vez que vou trocar a roupa ou a fralda dele, ele chora demais. O nariz dele sempre está com um catarro esbranquiçado”. Ao exame, Fernando apresenta adenomegalia generalizada, hepatoesplenomegalia, hipocorado 2+/4+ e chora à manipulação de extremidades. Considerando a hipótese de infecção congênita, o agente etiológico mais provável é:
RN com rinite, hepatoesplenomegalia, adenomegalia e dor à manipulação → Sífilis congênita até prova em contrário.
A sífilis congênita precoce (até 2 anos) apresenta um quadro clínico polimórfico, mas a combinação de rinite sifilítica (catarro esbranquiçado), hepatoesplenomegalia, adenomegalia e dor óssea (pseudoparalisia de Parrot, osteocondrite) é altamente sugestiva de infecção por Treponema pallidum.
A sífilis congênita é uma infecção grave causada pelo Treponema pallidum, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. Apesar de ser prevenível com o diagnóstico e tratamento adequados da gestante, ainda representa um desafio de saúde pública. As manifestações clínicas são variadas e podem ser classificadas como precoces (até 2 anos de idade) ou tardias (após 2 anos). O reconhecimento precoce é crucial para evitar sequelas permanentes. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica do Treponema pallidum para múltiplos órgãos do feto. No caso de Fernando, a rinite sifilítica (catarro esbranquiçado) é um sinal clássico, assim como a hepatoesplenomegalia e a adenomegalia generalizada. A dor à manipulação das extremidades é altamente sugestiva de osteocondrite ou periostite sifilítica, também conhecida como pseudoparalisia de Parrot, devido à dor intensa que impede o movimento do membro. A anemia (hipocorado) também é uma manifestação comum. O diagnóstico da sífilis congênita é baseado na história materna, exame físico do bebê e testes sorológicos. O tratamento é feito com penicilina, que é altamente eficaz. A prevenção é a melhor estratégia, com triagem universal de sífilis em gestantes e tratamento imediato das mães infectadas. A falha em diagnosticar e tratar adequadamente a sífilis congênita pode levar a sequelas neurológicas, ósseas, dentárias e oculares graves e irreversíveis.
As manifestações incluem rinite sifilítica ('coriza'), lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar, máculas), hepatoesplenomegalia, adenomegalia, icterícia, anemia e alterações ósseas como osteocondrite e periostite (pseudoparalisia de Parrot).
O diagnóstico envolve testes não treponêmicos (VDRL, RPR) e treponêmicos (FTA-Abs, TP-PA) no sangue do recém-nascido e da mãe. A interpretação requer considerar os títulos maternos e do bebê, além da presença de IgM específico.
O tratamento de escolha é a penicilina cristalina ou procaína, com dosagem e duração ajustadas à idade do bebê e à presença de comprometimento do sistema nervoso central.
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