Sífilis Congênita Precoce: Diagnóstico e Achados Radiográficos

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2020

Enunciado

Lactente de 3 meses, nascido prematuro e com baixo peso, é internado com quadro de icterícia a esclarecer. Durante o exame físico de admissão, notou-se também secreção nasal serossanguinolenta, fissuras cutâneas em região nasogeniana e hepatoesplenomegalia. Durante a avaliação, o bebê chora intensamente, sobretudo durante o manuseio dos membros inferiores, os quais mantém imóveis durante todo o exame. Considerando a hipótese mais provável para esse caso, o achado radiográfico que se espera encontrar na radiografia de ossos longos desse paciente é:

Alternativas

  1. A) ossículo na inserção do ligamento patelar
  2. B) alargamento da placa epifisária
  3. C) fratura em galho verde
  4. D) periostite e metafisite

Pérola Clínica

Lactente com rinite serossanguinolenta, hepatoesplenomegalia e dor óssea → Suspeitar sífilis congênita.

Resumo-Chave

O quadro clínico de icterícia, rinite serossanguinolenta, hepatoesplenomegalia e dor óssea (pseudoparalisia de Parrot) em lactente prematuro é altamente sugestivo de sífilis congênita precoce. As alterações ósseas são comuns e incluem periostite e metafisite.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção sistêmica causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. Apesar de ser prevenível com o adequado tratamento da gestante, ainda representa um grave problema de saúde pública, especialmente em regiões com acesso limitado ao pré-natal. A sífilis congênita precoce manifesta-se nos primeiros dois anos de vida e pode levar a sequelas graves ou óbito se não tratada. O diagnóstico da sífilis congênita precoce baseia-se na suspeita clínica, especialmente em lactentes com história materna de sífilis não tratada ou inadequadamente tratada. As manifestações clínicas são variadas e podem incluir icterícia, hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas, rinite serossanguinolenta e alterações ósseas. A pseudoparalisia de Parrot, caracterizada por dor e imobilidade de um membro, é um sinal clássico de osteocondrite sifilítica, que se manifesta radiograficamente como periostite e metafisite. O reconhecimento precoce desses sinais e sintomas é fundamental para o diagnóstico e tratamento oportunos, geralmente com penicilina, prevenindo complicações a longo prazo. Residentes e estudantes devem estar atentos à constelação de achados clínicos e radiográficos para garantir o manejo adequado e a notificação compulsória da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos da sífilis congênita precoce em lactentes?

Os sinais clássicos incluem rinite serossanguinolenta (coriza sifilítica), lesões cutâneas (pênfigo sifilítico, fissuras), hepatoesplenomegalia, icterícia, linfadenopatia e alterações ósseas como pseudoparalisia de Parrot.

Por que a dor à manipulação dos membros inferiores é um achado comum na sífilis congênita?

A dor é causada pela osteocondrite e periostite sifilítica, que afetam os ossos longos, tornando-os dolorosos e suscetíveis a fraturas, levando à pseudoparalisia de Parrot.

Quais exames complementares são essenciais para confirmar o diagnóstico de sífilis congênita?

Além da sorologia materna e do RN (VDRL/RPR e FTA-Abs), são importantes hemograma, líquor, radiografia de ossos longos e avaliação oftalmológica e audiológica.

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