SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2020
Lactente de 3 meses, nascido prematuro e com baixo peso, é internado com quadro de icterícia a esclarecer. Durante o exame físico de admissão, notou-se também secreção nasal serossanguinolenta, fissuras cutâneas em região nasogeniana e hepatoesplenomegalia. Durante a avaliação, o bebê chora intensamente, sobretudo durante o manuseio dos membros inferiores, os quais mantém imóveis durante todo o exame. Considerando a hipótese mais provável para esse caso, o achado radiográfico que se espera encontrar na radiografia de ossos longos desse paciente é:
Lactente com rinite serossanguinolenta, hepatoesplenomegalia e dor óssea → Suspeitar sífilis congênita.
O quadro clínico de icterícia, rinite serossanguinolenta, hepatoesplenomegalia e dor óssea (pseudoparalisia de Parrot) em lactente prematuro é altamente sugestivo de sífilis congênita precoce. As alterações ósseas são comuns e incluem periostite e metafisite.
A sífilis congênita é uma infecção sistêmica causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. Apesar de ser prevenível com o adequado tratamento da gestante, ainda representa um grave problema de saúde pública, especialmente em regiões com acesso limitado ao pré-natal. A sífilis congênita precoce manifesta-se nos primeiros dois anos de vida e pode levar a sequelas graves ou óbito se não tratada. O diagnóstico da sífilis congênita precoce baseia-se na suspeita clínica, especialmente em lactentes com história materna de sífilis não tratada ou inadequadamente tratada. As manifestações clínicas são variadas e podem incluir icterícia, hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas, rinite serossanguinolenta e alterações ósseas. A pseudoparalisia de Parrot, caracterizada por dor e imobilidade de um membro, é um sinal clássico de osteocondrite sifilítica, que se manifesta radiograficamente como periostite e metafisite. O reconhecimento precoce desses sinais e sintomas é fundamental para o diagnóstico e tratamento oportunos, geralmente com penicilina, prevenindo complicações a longo prazo. Residentes e estudantes devem estar atentos à constelação de achados clínicos e radiográficos para garantir o manejo adequado e a notificação compulsória da doença.
Os sinais clássicos incluem rinite serossanguinolenta (coriza sifilítica), lesões cutâneas (pênfigo sifilítico, fissuras), hepatoesplenomegalia, icterícia, linfadenopatia e alterações ósseas como pseudoparalisia de Parrot.
A dor é causada pela osteocondrite e periostite sifilítica, que afetam os ossos longos, tornando-os dolorosos e suscetíveis a fraturas, levando à pseudoparalisia de Parrot.
Além da sorologia materna e do RN (VDRL/RPR e FTA-Abs), são importantes hemograma, líquor, radiografia de ossos longos e avaliação oftalmológica e audiológica.
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