Sífilis Congênita: Diagnóstico e Manejo Inicial no RN

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menina de 5 dias de vida, pesando 3100 g, é trazida pela mãe com queixa que, desde há dois dias, notou que a mesma está com a cor da pele mais esbranquiçada e com manchas avermelhadas nas palmas das mãos e pés, além de olhos amarelados. Também, está recusando as mamadas no peito e parece que tem dores. Ao exame encontra-se em regular estado geral, pálida, hidratada, eupneica, chorosa ao toque, com lesões maculobolhosas em palmas das mãos e plantas dos pés. Percebe-se a presença de sopro sistólico ++/++++ no mesocárdio, hepatimetria de 8 cm, fígado endurecido e doloroso, baço palpável a 2 cm do rebordo costal esquerdo. Considerando a hipótese diagnóstica prioritária para esse caso, assinale a alternativa que contenha a ação que deve ser tomada inicialmente.

Alternativas

  1. A) Perguntar se a mãe possui gatos em casa, se faz jardinagem ou se come carnes malcozidas.
  2. B) Fazer o teste do coraçãozinho.
  3. C) Verificar os resultados dos testes VDRL feitos durante o pré-natal.
  4. D) Verificar o tipo sanguíneo e o resultado do teste de Coombs indireto da mãe.

Pérola Clínica

RN com icterícia, hepatoesplenomegalia e lesões maculobolhosas → suspeitar sífilis congênita.

Resumo-Chave

A sífilis congênita precoce pode apresentar-se com um quadro multissistêmico grave em recém-nascidos, incluindo manifestações cutâneas, hepáticas, hematológicas e cardíacas. A investigação do VDRL materno é crucial para confirmar a exposição e guiar a conduta inicial.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença infecciosa grave transmitida verticalmente, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. Sua incidência tem aumentado, tornando o conhecimento de suas manifestações clínicas e manejo essencial para pediatras e residentes. O rastreamento adequado durante o pré-natal é a principal medida preventiva. As manifestações da sífilis congênita precoce (até 2 anos de idade) são multissistêmicas e variadas, incluindo icterícia, hepatoesplenomegalia, anemia, lesões cutâneas (pênfigo sifilítico, rash maculopapular), rinite sifilítica, pseudoparalisia de Parrot e alterações ósseas. A suspeita clínica é crucial, especialmente em recém-nascidos com múltiplos achados inespecíficos. O diagnóstico é confirmado pela sorologia materna e neonatal, além de exames complementares como líquor e radiografias de ossos longos. A conduta inicial envolve a investigação do status sorológico materno (VDRL/FTA-Abs) e, se houver suspeita, iniciar o tratamento com penicilina cristalina ou procaína, dependendo da classificação do caso. O tratamento precoce é fundamental para evitar sequelas neurológicas e outras complicações a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da sífilis congênita precoce?

A sífilis congênita precoce manifesta-se geralmente nos primeiros dois anos de vida, com sinais como icterícia, hepatoesplenomegalia, anemia, lesões cutâneas maculobolhosas, rinite e alterações ósseas.

Qual a importância do VDRL materno no diagnóstico da sífilis congênita?

O VDRL materno é fundamental para rastrear a exposição à sífilis durante a gestação. Um resultado positivo ou não realizado no pré-natal exige investigação imediata do recém-nascido para sífilis congênita.

Como diferenciar as lesões cutâneas da sífilis congênita de outras condições?

As lesões maculobolhosas em palmas e plantas, muitas vezes descritas como 'cobre', são características. A diferenciação é feita pelo contexto clínico sistêmico e testes sorológicos específicos.

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