UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022
Mulher de 32 anos de idade, G2P2A0, não realizou pré-natal, deu à luz um recém-nascido a termo, pesando 2.800 g, APGAR 8/9. Ainda na maternidade, o bebê evoluiu com falta de movimentação ativa e posição semiflexionada dos membros inferiores, dolorosos à mobilização. Exame físico abdominal com fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito e baço a 2 cm do rebordo costal esquerdo. Nesse contexto, a condição clínica mais provável é
RN com pseudoparalisia dolorosa de MMII + hepatoesplenomegalia → forte suspeita de sífilis congênita.
A sífilis congênita precoce pode se manifestar com osteocondrite e periostite, causando dor e limitação de movimentos (pseudoparalisia de Parrot), além de hepatoesplenomegalia. A ausência de pré-natal aumenta o risco e a gravidade das manifestações.
A sífilis congênita é uma doença infecciosa grave, transmitida verticalmente da mãe para o feto, com alta morbimortalidade se não tratada adequadamente. É um problema de saúde pública, especialmente em regiões com baixa cobertura de pré-natal. O diagnóstico precoce e o tratamento materno adequado são fundamentais para prevenir as manifestações neonatais, que podem ser precoces (até 2 anos) ou tardias (após 2 anos). A fisiopatologia envolve a disseminação do Treponema pallidum pela placenta, causando inflamação e danos em múltiplos órgãos fetais. As manifestações precoces incluem osteocondrite (pseudoparalisia), hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas e mucosas, anemia e icterícia. A suspeita clínica é crucial, especialmente em recém-nascidos de mães sem pré-natal ou com sífilis não tratada ou inadequadamente tratada. O diagnóstico é confirmado por testes sorológicos no recém-nascido e na mãe, além de exames complementares. O tratamento da sífilis congênita é feito com penicilina, sendo a via e a duração dependentes da classificação da doença e da presença de alterações liquóricas. O prognóstico é melhor com tratamento precoce, mas sequelas neurológicas, ósseas e sensoriais podem ocorrer. A prevenção é a melhor estratégia, com rastreamento e tratamento de gestantes durante o pré-natal, enfatizando a importância do acesso e adesão aos serviços de saúde.
Os principais sinais incluem pseudoparalisia de Parrot (dor e limitação de movimentos dos membros), hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar, rágades), rinite sifilítica e icterícia. A ausência de pré-natal é um fator de risco importante.
A pseudoparalisia de Parrot é uma manifestação da osteocondrite e periostite sifilítica, que causa dor intensa nos membros, levando o bebê a evitar movimentá-los. Geralmente afeta os membros inferiores e pode ser confundida com paralisia verdadeira.
A hepatoesplenomegalia é um achado comum na sífilis congênita precoce, refletindo a disseminação da infecção. Sua presença, combinada com outros sinais como a pseudoparalisia, reforça a suspeita diagnóstica e a necessidade de investigação sorológica e tratamento imediato.
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