Sífilis Congênita: Diagnóstico e Sinais Clínicos no RN

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Um recém-nascido, filho de mãe que não realizou pré-natal, apresenta hepatoesplenomegalia, petéquias e sufusões hemorrágicas, paralisia e dor à movimentação do membro superior direito, coriza sanguinolenta e descamação palmoplantar. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o exame de escolha para o diagnóstico etiológico.

Alternativas

  1. A) VDRL
  2. B) sorologia para vírus Zika
  3. C) pesquisa placentária de granulomas
  4. D) tomografia computadorizada de crânio
  5. E) emissões otoacústicas

Pérola Clínica

RN com hepatoesplenomegalia, petéquias, coriza sanguinolenta, descamação palmoplantar e pseudoparalisia → Sífilis congênita.

Resumo-Chave

A apresentação clínica de um recém-nascido com hepatoesplenomegalia, petéquias, sufusões hemorrágicas, paralisia e dor à movimentação de um membro (sugestivo de pseudoparalisia de Parrot por osteocondrite), coriza sanguinolenta e descamação palmoplantar é altamente sugestiva de sífilis congênita. O VDRL é o exame de escolha para o diagnóstico etiológico inicial.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção sistêmica causada pelo *Treponema pallidum*, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. É uma condição prevenível com o pré-natal adequado e tratamento da gestante infectada. A ausência de pré-natal ou tratamento inadequado da mãe são os principais fatores de risco. A sífilis congênita pode ter manifestações precoces (até 2 anos de idade) ou tardias. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica do treponema para múltiplos órgãos fetais. As manifestações clínicas da sífilis congênita precoce são variadas e podem incluir hepatoesplenomegalia, icterícia, anemia, petéquias, lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar, descamação), coriza sanguinolenta (rinite sifilítica), linfadenopatia, e alterações ósseas como osteocondrite e periostite, que podem causar dor e pseudoparalisia (pseudoparalisia de Parrot). O diagnóstico é feito pela sorologia (VDRL e testes treponêmicos) no recém-nascido e na mãe, além de avaliação clínica e radiológica. O tratamento da sífilis congênita é feito com penicilina cristalina ou procaína, dependendo do esquema e da avaliação de comprometimento do sistema nervoso central. A prevenção é a medida mais eficaz, através do diagnóstico e tratamento adequados da sífilis materna durante o pré-natal. O prognóstico depende da gravidade da doença ao nascimento e da prontidão do tratamento, sendo que sequelas neurológicas e ósseas podem ocorrer se não tratada precocemente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da sífilis congênita precoce em recém-nascidos?

Os sinais incluem hepatoesplenomegalia, icterícia, petéquias, sufusões hemorrágicas, lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar, descamação), coriza sanguinolenta (rinite sifilítica), osteocondrite (levando à pseudoparalisia de Parrot) e linfadenopatia.

Qual o exame de escolha para o diagnóstico etiológico da sífilis congênita?

O VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) é o exame não treponêmico de escolha para o diagnóstico inicial da sífilis congênita, sendo importante comparar os títulos do RN com os da mãe. Testes treponêmicos também são utilizados.

Como a sífilis congênita pode afetar o sistema musculoesquelético do RN?

A sífilis congênita pode causar osteocondrite e periostite, especialmente em ossos longos, levando a dor e pseudoparalisia (conhecida como pseudoparalisia de Parrot), onde o bebê evita movimentar o membro afetado devido à dor.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo