Sífilis Congênita: Diagnóstico e Sinais Radiológicos

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Lactente, sexo masculino, com 3 meses, é trazido ao ambulatório de Pediatria. A mãe refere que, há um mês, a criança iniciou coriza mucossanguinolenta e irritabilidade com choro fácil. Ao nascimento, o peso foi de 2100g, o perímetro cefálico foi de 34 cm e o comprimento de 48cm. Ao exame físico verifica-se dor à mobilização de braço esquerdo com choro intenso, coriza mucossanguinolenta bilateral e erosões em lábio superior. A criança apresenta palidez cutâneo-mucosa +++/4+ e fígado a 3 cm do rebordo costal direito.Considerando a principal hipótese diagnóstica, quais são, respectivamente, o exame a ser solicitado e o resultado mais provável?

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada de crânio; pólipos em seios da face.
  2. B) Tomografia computadorizada de crânio; calcificações cranianas periventriculares.
  3. C) Radiografia simples de crânio; suturas cranianas precocemente soldadas.
  4. D) Radiografia de ossos longos; lesões osteolíticas e espessamentos periostais.
  5. E) Tomografia de abdome; microinfartos esplênicos.

Pérola Clínica

Lactente com coriza mucossanguinolenta, pseudoparalisia e hepatomegalia → suspeitar sífilis congênita → RX ossos longos para osteocondrite/periostite.

Resumo-Chave

A apresentação clínica do lactente, com coriza mucossanguinolenta (snuffles), irritabilidade, dor à mobilização de membro (pseudoparalisia de Parrot), erosões labiais (rhagades), palidez e hepatomegalia, é altamente sugestiva de sífilis congênita precoce. O exame de imagem mais relevante para confirmar o acometimento ósseo, uma manifestação comum e importante, é a radiografia de ossos longos, que pode revelar osteocondrite e periostite.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção sistêmica causada pela bactéria *Treponema pallidum*, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. É uma condição grave que pode levar a malformações, sequelas neurológicas e óbito se não diagnosticada e tratada precocemente. A incidência tem aumentado, tornando seu reconhecimento fundamental na prática pediátrica. As manifestações da sífilis congênita precoce (até 2 anos de idade) são variadas e podem incluir coriza mucossanguinolenta (snuffles), lesões cutâneas, hepatosplenomegalia, icterícia, anemia, linfadenopatia e acometimento ósseo. A pseudoparalisia de Parrot, caracterizada por dor e limitação de movimento em um membro, é um sinal clássico de osteocondrite sifilítica. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos, sorologia materna e infantil (VDRL/RPR e FTA-Abs/TPHA) e exames complementares. O tratamento de escolha é a penicilina G cristalina ou procaína, dependendo do regime e da idade do lactente. A radiografia de ossos longos é um exame essencial para avaliar o acometimento ósseo, revelando alterações como osteocondrite, periostite e lesões osteolíticas. O prognóstico depende da precocidade do diagnóstico e tratamento, sendo crucial a triagem pré-natal e o tratamento adequado da gestante para prevenir a transmissão vertical.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da sífilis congênita precoce em lactentes?

Os principais sinais incluem coriza mucossanguinolenta (snuffles), lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar, rash maculopapular), hepatomegalia, esplenomegalia, icterícia, anemia, pseudoparalisia de Parrot (dor à mobilização de membros devido a osteocondrite) e rhagades (fissuras periorais).

Por que a radiografia de ossos longos é crucial no diagnóstico da sífilis congênita?

A radiografia de ossos longos é crucial porque a sífilis congênita frequentemente afeta o sistema ósseo, causando osteocondrite, periostite e osteíte. Essas alterações radiológicas, como lesões osteolíticas e espessamentos periostais, são patognomônicas e ajudam a confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da doença.

Como diferenciar a pseudoparalisia de Parrot de outras causas de dor em membros em lactentes?

A pseudoparalisia de Parrot, causada pela osteocondrite sifilítica, é caracterizada por dor intensa à mobilização e recusa em mover o membro afetado, sem evidência de trauma. A diferenciação envolve a busca por outros estigmas de sífilis congênita e a realização de exames sorológicos e radiografias de ossos longos para confirmar a etiologia.

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