Sífilis Congênita: Diagnóstico e Seguimento do RN Exposto

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Em uma UBS, uma criança com 7 dias de vida é atendida e em seu relatório de alta da maternidade consta o seguinte: Mãe com VDRL na ocasião do parto com título de 1/8 e teste treponêmico reagente, tratada adequadamente para sífilis 45 dias antes do parto. O recém-nascido, assintomático, tem título de VDRL 1/4, líquor sem alterações, hemograma normal e radiografia de ossos longos normal. Assinale a alternativa que contém ações de vigilância epidemiológica corretas para esse caso.

Alternativas

  1. A) Notificar o caso de sífilis congênita em até 24 horas; realizar seguimento com testes não treponêmicos quantitativos com 1, 3, 6, 12 e 18 meses de idade.
  2. B) Considerar como criança exposta à sífilis; realizar seguimento com testes não treponêmicos quantitativos com 1, 3, 6, 12 e 18 meses de idade.
  3. C) Notificar o caso de sífilis congênita em até uma semana; realizar seguimento com testes treponêmicos com 1, 3, 6, 12 e 18 meses de idade.
  4. D) Considerar como criança exposta à sífilis; realizar seguimento com testes treponêmicos com 1, 3, 6, 12 e 18 meses de idade.

Pérola Clínica

RN assintomático com VDRL ≤ 4x o materno e mãe tratada adequadamente >30 dias antes do parto → RN exposto, não sífilis congênita.

Resumo-Chave

A mãe foi tratada adequadamente para sífilis 45 dias antes do parto, e o VDRL do RN (1/4) é menor que 4 vezes o título materno (1/8). Além disso, o RN é assintomático e não apresenta alterações laboratoriais ou radiológicas. Nesses casos, o RN é considerado exposto à sífilis, mas não tem sífilis congênita, necessitando apenas de seguimento sorológico.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença de notificação compulsória e um grave problema de saúde pública, com potencial para causar sequelas graves e óbito. A transmissão vertical da sífilis ocorre em qualquer fase da gestação, sendo a prevenção e o tratamento adequado da gestante cruciais para evitar a doença no recém-nascido. O manejo do RN depende da avaliação do tratamento materno, da presença de sinais clínicos e da comparação dos títulos de VDRL entre mãe e filho.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar um recém-nascido como exposto à sífilis, mas sem sífilis congênita?

Um RN é considerado exposto sem sífilis congênita se a mãe foi tratada adequadamente para sífilis (com penicilina, dose correta, tempo adequado) mais de 30 dias antes do parto, o RN é assintomático, e seu VDRL é menor ou igual a quatro vezes o título materno, com exames complementares normais (líquor, hemograma, RX ossos longos).

Qual a conduta de seguimento para um recém-nascido exposto à sífilis sem evidência de doença?

O seguimento envolve a realização de testes não treponêmicos quantitativos (VDRL) aos 1, 3, 6, 12 e 18 meses de idade. O objetivo é observar a queda progressiva dos títulos e a negativação, indicando ausência de infecção. Se os títulos aumentarem ou não caírem, a investigação para sífilis congênita deve ser reiniciada.

Quando um recém-nascido deve ser notificado como caso de sífilis congênita?

A notificação de sífilis congênita ocorre quando há evidência de infecção no RN (sintomas, alterações laboratoriais/radiológicas, VDRL > 4x o materno) ou quando o tratamento materno foi inadequado (não realizado, incompleto, com drogas não penicilínicas, ou realizado menos de 30 dias antes do parto, ou sem documentação).

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