Sífilis Congênita: Conduta no Recém-Nascido Exposto

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2020

Enunciado

Recém-nascido do sexo masculino, de termo e adequado para idade gestacional, está em alojamento conjunto. A mãe refere que recebeu o diagnóstico de sífilis durante a gestação, pois tinha a primeira sorologia com VDRL negativo e a segunda sorologia com VDRL 1/64. Ela e o parceiro receberam uma dose de penicilina benzatina. Neste momento, a mãe tem VDRL 1/2. Colhidos exames do recém-nascido, com VDRL negativo, hemograma, líquor e radiografia de ossos longos normais. A criança está assintomática e o exame físico é normal. A conduta indicada para o recém-nascido é:

Alternativas

  1. A) apenas realizar seguimento clínico e laboratorial após a alta hospitalar.
  2. B) receber penicilina benzatina 50.000 UI/kg intramuscular em dose única.
  3. C) receber penicilina procaína 50.000 UI/kg/dia intramuscular por 10 dias.
  4. D) receber penicilina cristalina 50.000 UI/kg/dose endovenosa por 10 dias.
  5. E) colher teste treponêmico da mãe e do recém-nascido para definir conduta.

Pérola Clínica

RN assintomático, VDRL negativo, exames normais, mãe tratada adequadamente → apenas seguimento clínico/laboratorial.

Resumo-Chave

A conduta no recém-nascido exposto à sífilis depende da adequação do tratamento materno, dos resultados dos exames do RN e da presença de sintomas. Se a mãe foi tratada adequadamente e o RN é assintomático com exames normais, o seguimento é suficiente.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção grave transmitida verticalmente, que pode causar sequelas permanentes ou morte fetal/neonatal. A prevenção é a chave, com rastreio e tratamento adequado da gestante. A conduta no recém-nascido exposto à sífilis é complexa e depende de múltiplos fatores, incluindo a adequação do tratamento materno, a presença de sinais e sintomas no RN, e os resultados de exames laboratoriais e de imagem do neonato. No caso apresentado, a mãe teve VDRL negativo e depois 1/64, indicando infecção recente. Uma dose de penicilina benzatina é considerada adequada para sífilis primária, secundária ou latente recente. A queda do VDRL materno para 1/2 (mais de 4 vezes) e o fato de o recém-nascido estar assintomático, com VDRL negativo e todos os exames (hemograma, líquor, radiografia de ossos longos) normais, indicam que o tratamento materno foi eficaz e que o RN não apresenta evidências de sífilis congênita. Portanto, a conduta é o seguimento. A conduta para o recém-nascido é estratificada. Se a mãe foi tratada adequadamente e o RN é assintomático com exames normais, a conduta é apenas o seguimento clínico e laboratorial. Se houver qualquer evidência de infecção (sintomas, alterações em exames, VDRL do RN 4x maior que o materno) ou tratamento materno inadequado, o tratamento com penicilina (cristalina ou procaína, dependendo do caso) é mandatório. Residentes devem estar atentos aos detalhes do tratamento materno e aos resultados dos exames do RN para tomar a decisão correta.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar o tratamento materno da sífilis como adequado?

O tratamento materno é considerado adequado se realizado com penicilina benzatina na dose e esquema corretos para o estágio da sífilis, com início pelo menos 30 dias antes do parto, e com queda dos títulos de VDRL materno.

Quando o recém-nascido exposto à sífilis precisa ser tratado?

O recém-nascido precisa ser tratado se a mãe não foi tratada ou foi tratada inadequadamente, se o RN apresenta sintomas ou alterações laboratoriais/radiológicas sugestivas de sífilis congênita, ou se o VDRL do RN for 4 vezes maior que o materno.

Qual a importância do VDRL no recém-nascido para a conduta?

O VDRL do recém-nascido é crucial. Se for negativo e a mãe foi tratada adequadamente, e o RN é assintomático com outros exames normais, geralmente indica ausência de infecção e permite apenas o seguimento. Um VDRL positivo ou títulos elevados requer investigação e, frequentemente, tratamento.

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