INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um bebê de 2 meses é levado por sua mãe ao pronto atendimento do hospital de referência da região. Ela apresenta queixa de que seu filho não está movendo as pernas e de que chora muito durante as trocas de fralda. A mãe nega que ele tenha sofrido traumas, violência ou que tenha tido febre. O lactente nasceu com 36 semanas, em parto domiciliar sem intercorrências. A gestação transcorreu sem acompanhamento pré-natal. Também não foi realizado teste do pezinho (triagem neonatal).Ao exame físico, nota-se: lactente choroso, hipocorado, ictérico, sem lesões cutâneas. Ao exame ocular, constata-se reflexo vermelho translúcido e simétrico. Os exames dos aparelhos respiratório e cardiovascular apresentam-se sem alterações. Seu abdome está globoso, com fígado palpável a 3,5 cm do rebordo costal direito. Com relação ao desenvolvimento neuropsicomotor, nota-se que o paciente observa o rosto do médico durante o exame, eleva a cabeça em prono, não abre as mãos, não sorri quando estimulado e reage ao som, mas não os emite.A seguir, pode-se observar o resultado da radiografia dos membros inferiores, realizada após esse atendimento inicial.Considerando-se o caso clínico e a propedêutica disponível, quais são, respectivamente, o provável diagnóstico e a conduta médica mais adequada nessa situação?
RN sem pré-natal, pseudoparalisia, hepatomegalia, icterícia, alterações ósseas (Rx) → Sífilis congênita, tratar com Penicilina.
A sífilis congênita deve ser fortemente suspeitada em lactentes com histórico materno de pré-natal inadequado ou ausente, apresentando manifestações como pseudoparalisia (osteocondrite), hepatomegalia, icterícia e alterações radiográficas ósseas, exigindo tratamento imediato com penicilina.
A sífilis congênita é uma infecção grave transmitida verticalmente da mãe para o feto, resultante de sífilis materna não tratada ou inadequadamente tratada durante a gestação. A ausência de pré-natal ou um pré-natal incompleto são fatores de risco cruciais. As manifestações clínicas são variadas e podem ser precoces (até 2 anos) ou tardias (após 2 anos). No caso de um lactente de 2 meses com histórico de pré-natal ausente, icterícia, hepatomegalia, e especialmente a queixa de não mover as pernas e chorar à troca de fraldas (sugestivo de pseudoparalisia de Parrot devido à osteocondrite sifilítica), a suspeita de sífilis congênita é muito alta. A radiografia dos membros inferiores pode revelar alterações ósseas típicas, como periostite e osteocondrite. O diagnóstico é confirmado por sorologia (VDRL e FTA-Abs) no lactente e na mãe. O tratamento é uma emergência médica, sendo a penicilina cristalina a droga de escolha, administrada por via intravenosa. O tratamento precoce é fundamental para prevenir sequelas graves e permanentes, como surdez, cegueira, deficiência intelectual e deformidades ósseas.
A sífilis congênita precoce pode manifestar-se com hepatomegalia, icterícia, lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar), rinite sifilítica, pseudoparalisia de Parrot (devido a osteocondrite), linfadenopatia e alterações ósseas visíveis em radiografias.
A pseudoparalisia de Parrot é causada por dor intensa devido à osteocondrite e periostite sifilítica, levando o lactente a evitar mover o membro afetado. É um sinal clássico e altamente sugestivo de sífilis congênita.
O tratamento de escolha é a penicilina cristalina intravenosa, com duração e dosagem específicas. É urgente porque a sífilis congênita pode causar sequelas neurológicas, ósseas e sensoriais permanentes se não tratada precocemente.
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