HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024
Adolescente, 16 anos, é admitida na maternidade em fase ativa do trabalho de parto, com idade gestacional de 39 semanas e 5 dias. No cartão de pré-natal consta um tratamento para sífilis de duração ignorada, na 30ª semana, com duas doses de penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM e intervalo de 10 dias. VDRL feito no momento do diagnóstico: 1:32; VDRL na internação: 1:32. O recém-nascido recebeu Apgar 9/10 e o exame físico foi normal. VDRL: 1/16, radiografia de ossos longos: desmineralizações simétricas localizadas; outros exames sem alterações. De acordo com o protocolo de 2022 do Ministério da Saúde sobre o manejo do recém-nascido com sífilis congênita, a melhor conduta para esse caso entre as opções abaixo é:
RN com VDRL ≥ VDRL materno ou evidência clínica/laboratorial de sífilis congênita → tratamento completo (Penicilina Procaína IM por 10 dias).
O tratamento da sífilis na gestante foi considerado inadequado (apenas 2 doses com intervalo de 10 dias, e VDRL materno não caiu 4x). O RN apresenta VDRL reagente e alterações radiológicas (desmineralizações), caracterizando sífilis congênita com evidência clínica/laboratorial. Portanto, o tratamento completo com Benzilpenicilina procaína por 10 dias é indicado.
A sífilis congênita é uma doença grave e prevenível, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da gestante infectada para o feto. O manejo adequado da sífilis na gestação e no recém-nascido é um desafio importante na saúde pública, com protocolos bem definidos pelo Ministério da Saúde. A inadequação do tratamento materno, como no caso (apenas duas doses com intervalo de 10 dias e VDRL materno estável), é um fator de risco crucial. O diagnóstico da sífilis congênita no recém-nascido baseia-se na avaliação do tratamento materno, resultados de testes não treponêmicos (VDRL) do RN e da mãe, e na presença de achados clínicos, laboratoriais ou radiológicos. No caso, o VDRL do RN (1:16) é reagente e as desmineralizações simétricas nos ossos longos são evidências de sífilis congênita. Diante de um recém-nascido com evidência clínica ou laboratorial de sífilis congênita, ou quando o tratamento materno foi inadequado, a conduta é o tratamento completo com Benzilpenicilina procaína por via intramuscular por 10 dias. A penicilina benzatina em dose única é reservada para casos de sífilis congênita possível, sem evidências clínicas/laboratoriais e com tratamento materno adequado.
O tratamento é inadequado se não foi realizado com penicilina benzatina, se a dose foi insuficiente, se o intervalo entre as doses foi incorreto, se a gestante não completou o tratamento ou se o parceiro não foi tratado, ou se o VDRL não caiu 4x.
VDRL reagente com titulação igual ou superior à materna, presença de sinais clínicos (exantema, hepatoesplenomegalia, rinorreia), alterações laboratoriais (hemograma, líquor) ou radiológicas (osteocondrite, periostite) indicam sífilis congênita e tratamento completo.
A penicilina benzatina em dose única é para RNs com sífilis congênita possível, sem evidências clínicas/laboratoriais e com tratamento materno adequado. A penicilina procaína por 10 dias é para RNs com sífilis congênita confirmada ou com evidências clínicas/laboratoriais, ou quando o tratamento materno foi inadequado.
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