Sífilis Congênita: Diagnóstico e Manejo no RN

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Você é o plantonista da maternidade no interior e recebe uma parturiente que chega em período expulsivo. Ao realizar os testes rápidos, vêm os seguintes resultados: HBsAg negativo, HIV negativo, Sífilis reagente. O bebê nasce ativo, com Idade gestacional de 37 semanas, PN 2800g Est 48 cm PC 34 cm, com exame físico normal. Recebe aleitamento na sala de parto e vai para o alojamento conjunto. Você pede à mãe o cartão do pré-Natal e verifica que no primeiro trimestre ela apresentou FTAbs positivo e VDRL 1:128. Ela nunca teve sífilis, não apresentava sintomas e nem o parceiro. Ambos receberam 3 doses de penicilina benzatina 1.200.000Ui em cada nádega por 3 semanas com intervalo de 7 dias entre elas, todas registradas no cartão. Possuem relacionamento estável e monogâmico. No segundo trimestre o VDRL encontrava-se 1:64 e na maternidade o exame veio 1:16. Você solicita VDRL do RN e vem 1:16 Como você classificaria a mãe e qual sua conduta com relação ao RN?

Alternativas

  1. A) Mãe adequadamente tratada. Trata-se de Bebê exposto a sífilis que deverá realizar VDRL com 1, 3, 6 meses no seguimento ambulatorial.
  2. B) Mãe adequadamente tratada. Trata-se de Bebê com sífilis congênita que deverá receber penicilina cristalina ou procaina, dependendo do resultado do liquor.
  3. C) Mãe inadequadamente tratada. Trata-se de Bebê exposto a sífilis que deverá realizar VDRL com 1, 3, 6 meses no seguimento ambulatorial.
  4. D) Mãe inadequadamente tratada. Trata-se de Bebê com sífilis congênita que deverá receber penicilina cristalina ou procaina, dependendo do resultado do liquor.

Pérola Clínica

Mãe tratada adequadamente com queda de VDRL e RN assintomático com VDRL ≤ 4x o materno → bebê exposto, não congênita, seguir VDRL ambulatorial.

Resumo-Chave

A mãe foi adequadamente tratada, pois recebeu 3 doses de penicilina benzatina com queda dos títulos de VDRL (1:128 para 1:16). O bebê, nascido a termo, com exame físico normal e VDRL 1:16 (que é igual ao materno e não 4x maior), é classificado como exposto à sífilis, mas sem sífilis congênita. A conduta é o seguimento ambulatorial com VDRL seriado.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença de notificação compulsória e um grave problema de saúde pública no Brasil, com altas taxas de morbimortalidade. O diagnóstico e manejo corretos da sífilis na gestação e no recém-nascido são cruciais para prevenir suas consequências. A transmissão vertical ocorre em qualquer fase da gestação, e o tratamento materno adequado com penicilina benzatina é a única forma eficaz de prevenção. O diagnóstico da sífilis congênita no recém-nascido é complexo e depende da avaliação do tratamento materno, dos títulos de VDRL da mãe e do bebê, e do exame físico do RN. Um tratamento materno é considerado adequado se for completo, com penicilina benzatina, iniciado a tempo e com queda de títulos. Se o RN for assintomático e o VDRL neonatal for igual ou inferior a 4 vezes o título materno, ele é classificado como exposto e não infectado, necessitando apenas de seguimento ambulatorial com VDRL seriado. Em contraste, se o tratamento materno foi inadequado, se o RN apresenta sinais clínicos de sífilis congênita, ou se o VDRL neonatal for 4 vezes maior que o materno, o bebê deve ser tratado para sífilis congênita. O tratamento varia conforme o resultado do líquor e outros exames complementares, utilizando penicilina cristalina ou procaína. A correta classificação e conduta são essenciais para evitar tanto o subtratamento quanto o tratamento desnecessário, otimizando os recursos e a saúde do bebê.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar o tratamento da sífilis na gestante como adequado?

O tratamento da sífilis na gestante é considerado adequado se for realizado com penicilina benzatina na dose e esquema corretos para o estágio da doença, iniciado pelo menos 30 dias antes do parto, e se houver queda de pelo menos duas diluições (ex: 1:128 para 1:32) nos títulos de VDRL após o tratamento, ou se os títulos se mantiverem estáveis em baixas diluições.

Quando o VDRL do recém-nascido indica sífilis congênita?

O VDRL do recém-nascido indica sífilis congênita se o título for 4 vezes maior que o título materno no momento do parto (ex: mãe 1:16, RN 1:64), ou se o RN apresentar sinais clínicos de sífilis congênita, independentemente dos títulos. Se o VDRL do RN for igual ou menor que o materno e o RN for assintomático, ele é considerado exposto, não infectado.

Qual a conduta para um bebê exposto à sífilis congênita, mas sem evidências de infecção?

Para um bebê exposto à sífilis congênita, mas sem evidências de infecção (mãe adequadamente tratada, RN assintomático, VDRL ≤ 4x o materno), a conduta é o seguimento ambulatorial com VDRL a cada 1, 3 e 6 meses. O tratamento profilático com penicilina é reservado para casos de tratamento materno inadequado ou incerto, ou se o RN apresentar alterações clínicas/laboratoriais sugestivas.

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