Sífilis Congênita: Critérios de Diagnóstico e Tratamento

SMS São José do Rio Preto - Secretaria Municipal de Saúde (SP) — Prova 2024

Enunciado

C.D.S, 26 anos, iniciou pré-natal tardiamente com 27 semanas de idade gestacional (23/02/23) G5P4A0, solicitado exames de protocolo de pré-natal de segundo semestre, sendo resultado de VDRL reagente. Realizou neste dia do resultado do VDRL 2 doses de penicilina benzatina 1.200.00 UI cada IM, depois não compareceu mais em consultas no pré-natal. Criança nasce após 2 meses (24/04/23).Ainda sobre o RN de C.D.S. (caso acima), nascido de parto cesárea, sexo masculino, apgar 9/10, peso 3.500 gr (adequado para idade gestacional), 38 semanas gestação, podemos classificar como:

Alternativas

  1. A) Criança exposta à sífilis, pois a mãe foi adequadamente tratada na gestação
  2. B) Criança não se classifica nem como criança exposta à sífilis congênita e nem como Sífilis congênita
  3. C) Devido tratamento inadequado da mãe durante a gestação, a criança classifica-se como exposição vertical a sífilis
  4. D) Sífilis congênita devido tratamento inadequado da mãe na gestação

Pérola Clínica

Sífilis congênita = RN de mãe com sífilis e tratamento materno inadequado, mesmo com VDRL negativo no RN.

Resumo-Chave

O tratamento da sífilis na gestação é considerado inadequado se não seguir o esquema correto para o estágio da doença, se não houver acompanhamento sorológico ou se for realizado menos de 30 dias antes do parto. Nesses casos, o recém-nascido deve ser tratado como sífilis congênita.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença grave e prevenível, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da gestante são fundamentais para evitar a infecção fetal. A classificação do recém-nascido exposto à sífilis depende diretamente da adequação do tratamento materno, que deve seguir rigorosos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde e diretrizes internacionais. Residentes devem dominar esses critérios para garantir a saúde materno-infantil. O tratamento da sífilis na gestação é exclusivamente com penicilina benzatina. A adequação do tratamento é avaliada por diversos fatores: tipo de medicamento, dose e esquema corretos para o estágio da doença materna, ausência de reinfecção, e a conclusão do tratamento pelo menos 30 dias antes do parto. A falha em qualquer um desses pontos classifica o tratamento como inadequado, e o recém-nascido, mesmo assintomático, deve ser tratado como caso de sífilis congênita. A prevenção da sífilis congênita é um dos pilares do pré-natal. O rastreamento deve ser feito no primeiro trimestre, no terceiro trimestre e no momento do parto. Em casos de tratamento inadequado, o manejo do recém-nascido envolve exames complementares e, na maioria das vezes, o tratamento com penicilina cristalina intravenosa, visando erradicar a infecção e prevenir sequelas a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar o tratamento da sífilis na gestante como inadequado?

O tratamento é inadequado se não for com penicilina benzatina, se o esquema posológico for incorreto para o estágio da sífilis, se houver falha terapêutica (não queda de títulos), se for realizado menos de 30 dias antes do parto, ou se não houver acompanhamento sorológico após o tratamento.

Como a sífilis congênita é diagnosticada em recém-nascidos?

O diagnóstico de sífilis congênita é feito com base na história materna de sífilis não tratada ou inadequadamente tratada, e pode ser confirmado por exames sorológicos no RN (VDRL reagente com título maior que o materno em duas diluições, ou FTA-Abs/TPHA positivo), exames radiológicos e achados clínicos.

Qual a importância do acompanhamento sorológico materno após o tratamento da sífilis na gestação?

O acompanhamento sorológico é crucial para verificar a resposta ao tratamento. A queda dos títulos de VDRL em pelo menos duas diluições (ex: 1:32 para 1:8) após 3 meses é um indicativo de sucesso terapêutico. A ausência dessa queda ou o aumento dos títulos sugere falha terapêutica ou reinfecção.

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