Sífilis Congênita: Diagnóstico e Tratamento Essencial

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2023

Enunciado

Você é procurado em UBS para avaliar criança de 10 dias de vida. Genitora refere ter tido diagnóstico de sífilis durante a gestação e recebeu 03 doses de penicilina benzatina. Parceiro não foi tratado. A mesma apresenta exame de VDRL realizado após tratamento de 1:4. Por conta própria a família fez VDRL da criança 1:64. Sobre a Sífilis congênita avalie as assertivas abaixo: I. A criança deverá realizar hemograma, radiografia de ossos longos e VDRL no líquor para investigação inicial; II. Se neste paciente o VDRL for confirmado com mesmo valor e demais exames normais o paciente poderá ser tratado com penicilina benzatina ou penicilina procaína intramuscular; III. Se líquor com VDRL positivo o a medicação de escolha para tratar esta criança será penicilina cristalina. São alternativas verdadeiras:

Alternativas

  1. A) I
  2. B) II
  3. C) III
  4. D) I e II
  5. E) I e III

Pérola Clínica

Sífilis congênita: VDRL > materno, investigação completa (hemograma, ossos, líquor). Neurosífilis → Penicilina Cristalina.

Resumo-Chave

A investigação da sífilis congênita em recém-nascidos com VDRL reagente e mãe com tratamento inadequado ou parceiro não tratado deve ser completa, incluindo exames para descartar neurosífilis. O tratamento varia conforme o acometimento do SNC.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença infecciosa grave transmitida verticalmente, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. Sua incidência reflete a qualidade do pré-natal e o controle da sífilis gestacional. O diagnóstico e manejo adequados são cruciais para a saúde pública e para a formação do médico generalista e especialista. A fisiopatologia envolve a passagem do Treponema pallidum pela placenta, podendo causar uma gama de manifestações clínicas, desde formas assintomáticas até graves. A suspeita diagnóstica surge em recém-nascidos de mães com sífilis não tratada, inadequadamente tratada ou com parceiro não tratado. A investigação deve ser abrangente, incluindo exames laboratoriais e de imagem para determinar a extensão do acometimento. O tratamento da sífilis congênita é baseado na penicilina, sendo a escolha do regime (benzatina, procaína ou cristalina) determinada pela presença de neurosífilis e pela gravidade do quadro. A penicilina cristalina é reservada para casos de neurosífilis ou sífilis congênita grave, garantindo a penetração adequada no SNC. O prognóstico depende da precocidade do diagnóstico e tratamento, sendo fundamental o seguimento sorológico pós-tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais exames são essenciais na investigação inicial da sífilis congênita?

A investigação inicial da sífilis congênita inclui hemograma completo, radiografia de ossos longos e análise do líquor cefalorraquidiano (VDRL e citologia/bioquímica) para avaliar o acometimento sistêmico e do SNC.

Quando a penicilina cristalina é a medicação de escolha para sífilis congênita?

A penicilina cristalina é a medicação de escolha para sífilis congênita quando há evidência de neurosífilis (VDRL reagente no líquor, pleocitose ou proteinorraquia), ou em casos de sífilis congênita confirmada ou provável com acometimento sistêmico grave.

Qual a importância do VDRL no líquor para o tratamento da sífilis congênita?

O VDRL no líquor é crucial para descartar ou confirmar neurosífilis. Um resultado positivo indica acometimento do sistema nervoso central e exige tratamento com penicilina cristalina por 10 dias, com regime diferente da sífilis congênita sem neurosífilis.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo