UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Menina, 15 meses, é encaminhada ao ambulatório de pediatria por atraso do crescimento e desenvolvimento. Não constam informações de pré-natal. As curvas de peso e comprimento encontramse abaixo do escore-z -2. Há atraso das condutas motoras, pessoais-sociais e de comunicação. Exame físico: fronte olímpica; não segue o estímulo visual por cicatriz em córnea; ausência de reflexo cócleo-palpebral e criança não se vira ao som; fissuras periorais e dentes malformados; tíbia em sabre; alargamento da junção esternoclavicular; artrite indolor de punho e joelhos. A principal hipótese diagnóstica é:
Sífilis congênita tardia: fronte olímpica, cicatriz córnea, surdez, dentes malformados, tíbia em sabre, artrite indolor.
A sífilis congênita tardia (manifestações após 2 anos de idade, mas muitos sinais podem aparecer antes) apresenta um quadro clínico polimórfico. A combinação de alterações ósseas (tíbia em sabre, fronte olímpica), oculares (ceratite intersticial), auditivas (surdez neurossensorial) e dentárias (dentes de Hutchinson, fissuras periorais) é altamente sugestiva.
A sífilis congênita é uma doença infecciosa grave causada pela transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. Suas manifestações podem ser precoces (até 2 anos de idade) ou tardias (após 2 anos), embora muitos sinais da forma tardia possam surgir antes. A ausência de informações de pré-natal é um fator de risco importante para a sífilis congênita, tornando a suspeita diagnóstica ainda mais relevante em casos de atraso no crescimento e desenvolvimento. O quadro clínico da sífilis congênita tardia é polimórfico e envolve múltiplos sistemas. Sinais como fronte olímpica (alargamento da testa), cicatriz em córnea (ceratite intersticial), ausência de reflexo cócleo-palpebral e surdez, fissuras periorais (ragades), dentes malformados (dentes de Hutchinson), tíbia em sabre (espessamento da tíbia), alargamento da junção esternoclavicular e artrite indolor são altamente sugestivos. A ceratite intersticial pode levar à cegueira e a surdez neurossensorial é irreversível, destacando a gravidade da doença. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para evitar sequelas permanentes. A sífilis congênita é uma doença de notificação compulsória e sua ocorrência reflete falhas na assistência pré-natal. O tratamento é feito com penicilina, e a identificação de casos é fundamental para a saúde pública e para a prevenção de novos casos.
Os sinais clássicos incluem a tríade de Hutchinson (ceratite intersticial, dentes de Hutchinson e surdez neurossensorial), tíbia em sabre, fronte olímpica, fissuras periorais (ragades), nariz em sela e artrite indolor.
A sífilis congênita pode causar atraso no crescimento e desenvolvimento neuropsicomotor devido a danos neurológicos, ósseos e sensoriais, como surdez e deficiência visual, que impactam a interação da criança com o ambiente.
O pré-natal adequado com triagem para sífilis e tratamento oportuno da gestante infectada é fundamental para prevenir a transmissão vertical da sífilis e, consequentemente, as graves manifestações da sífilis congênita no bebê.
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