Sífilis na Gestação: Interpretação de VDRL e Treponêmico

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mãe apresentou teste rápido para sífilis no pré-natal negativo no primeiro e terceiro trimestre, porém a sorologia para sífilis no dia do parto mostrou VDRL positivo 1:2 e teste treponêmico negativo. O Recém-nascido com 3.250 gramas e 39 semanas de idade gestacional está assintomático. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Não há necessidade de investigar ou tratar a criança, pois a mãe não tem sífilis.
  2. B) Investigar a criança com VDRL, coleta de líquor e tratar sífilis congênita com penicilinaprocaína se líquor normal, pois a mãe tem sífilis latente.
  3. C) Investigar a criança com VDRL, tratar sífilis congênita com penicilina procaína, pois amãe tem sífilis secundária.
  4. D) Investigar a criança com VDRL, coleta de líquor e tratar sífilis congênita com penicilinabenzatina se líquor normal, pois a mãe tem sífilis latente.

Pérola Clínica

VDRL positivo + teste treponêmico negativo = falso-positivo; mãe não tem sífilis → RN não precisa de investigação/tratamento.

Resumo-Chave

A interpretação correta da sorologia para sífilis é crucial. Um VDRL reagente com um teste treponêmico não reagente indica um falso-positivo, o que significa que a paciente não tem sífilis e, portanto, o recém-nascido não está em risco de sífilis congênita.

Contexto Educacional

O diagnóstico da sífilis na gestação é crucial para prevenir a sífilis congênita, uma condição grave com potenciais sequelas para o recém-nascido. A triagem é realizada com testes não treponêmicos (VDRL ou RPR), que, se reagentes, devem ser confirmados por testes treponêmicos (FTA-Abs ou TPPA). A interpretação combinada desses testes é fundamental. Um VDRL reagente em qualquer título, na presença de um teste treponêmico também reagente, confirma o diagnóstico de sífilis. No entanto, um VDRL reagente com um teste treponêmico não reagente indica um resultado falso-positivo. Falsos-positivos para VDRL podem ocorrer em diversas situações, como doenças autoimunes (ex: lúpus), infecções virais, gravidez, vacinações recentes, entre outras. Nesses casos, a gestante não possui sífilis ativa e, consequentemente, não há risco de transmissão vertical para o feto. A conduta para o recém-nascido de uma mãe com sorologia de sífilis falso-positiva é de não intervenção, pois não há sífilis a ser tratada.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre testes treponêmicos e não treponêmicos para sífilis?

Testes não treponêmicos (VDRL, RPR) detectam anticorpos contra lipídios liberados por células danificadas e pelo Treponema pallidum, sendo úteis para rastreamento e monitoramento de tratamento. Testes treponêmicos (FTA-Abs, TPPA) detectam anticorpos específicos contra o Treponema pallidum, sendo confirmatórios e geralmente permanecem reagentes por toda a vida.

Quando um VDRL positivo pode ser considerado um falso-positivo?

Um VDRL positivo é considerado um falso-positivo quando o teste treponêmico (confirmatório) é negativo. Isso pode ocorrer em diversas condições, como doenças autoimunes, infecções virais agudas, gravidez, vacinações recentes ou uso de drogas intravenosas.

Qual a conduta para um recém-nascido de mãe com VDRL positivo e teste treponêmico negativo?

Se a mãe apresenta VDRL positivo e teste treponêmico negativo, ela não tem sífilis ativa. Portanto, não há indicação para investigar ou tratar o recém-nascido para sífilis congênita, pois não houve exposição intrauterina à infecção.

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