Sífilis Congênita: Diagnóstico e Tratamento no RN

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mãe com 39 anos, G6P5C0A0, não realizou pré-natal e não usou nenhuma medicação na gravidez. No dia do parto apresenta teste treponêmico reagente e teste não treponêmico reagente 1:1024. Evoluiu para parto vaginal com recém-nascido do sexo feminino, 39 semanas e 3 dias, com peso de nascimento de 2475 gramas e hepatoesplenomegalia ao exame físico. Sorologias da criança: teste treponêmico reagente e teste não treponêmico reagente 1:512. Liquor: Leucócitos= 234/mm³ (78% neutrófilo, 22% linfócitos) proteína = 540 mg/dL, glicose= 12 mg/dL; glicemia 75 mg/dL.O TRATAMENTO PARA O RECÉM-NASCIDO É:

Alternativas

  1. A) Benzilpenicilina benzatina 50.000 UI/kg/dose, intramuscular, semanal, por 3 semanas.
  2. B) Benzilpenicilina cristalina 50.000 UI/kg/dose, endovenosa, por 10 dias.
  3. C) Benzilpenicilina cristalina 50.000 UI/kg, endovenosa, dose única.
  4. D) Benzilpenicilina procaína 50.000 UI/kg/dose, intramuscular, uma vez ao dia, por 10 dias.

Pérola Clínica

Sífilis congênita com alteração liquórica/clínica → Penicilina cristalina IV por 10 dias.

Resumo-Chave

O caso apresenta sífilis congênita com evidências de acometimento do sistema nervoso central (alterações no líquor) e manifestações clínicas (hepatoesplenomegalia). Nesses casos, o tratamento de escolha é a benzilpenicilina cristalina endovenosa por 10 dias, devido à sua capacidade de atingir concentrações terapêuticas no líquor.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença grave e prevenível, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. A ausência de pré-natal adequado ou o tratamento inadequado da sífilis materna são os principais fatores de risco. O diagnóstico e tratamento precoces no recém-nascido são cruciais para prevenir sequelas graves e irreversíveis. Residentes devem estar aptos a identificar os critérios diagnósticos e a conduta terapêutica correta, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. No caso apresentado, a mãe não realizou pré-natal e tem sífilis ativa com alto título (1:1024). O recém-nascido apresenta baixo peso para a idade gestacional, hepatoesplenomegalia (manifestação clínica de sífilis congênita), sorologia reagente (VDRL 1:512) e, crucialmente, alterações significativas no líquor (leucócitos 234/mm³, proteína 540 mg/dL, glicose 12 mg/dL). Esses achados confirmam o diagnóstico de sífilis congênita com acometimento do sistema nervoso central (neurossífilis). O tratamento para sífilis congênita com acometimento do SNC ou manifestações clínicas é a benzilpenicilina cristalina endovenosa, na dose de 50.000 UI/kg/dose, a cada 12 horas nos primeiros 7 dias de vida e a cada 8 horas após o 7º dia, completando 10 dias de tratamento. A penicilina cristalina é a única que atinge níveis terapêuticos adequados no líquor. As outras opções (benzatina e procaína) não são eficazes para neurossífilis e são reservadas para casos de sífilis congênita sem acometimento do SNC e sem manifestações clínicas, ou para casos de sífilis materna adequadamente tratada, mas com critérios de tratamento para o RN por risco.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para o diagnóstico de sífilis congênita no recém-nascido?

O diagnóstico de sífilis congênita no RN baseia-se na história materna de sífilis não tratada ou inadequadamente tratada, presença de manifestações clínicas no RN (ex: hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas), sorologia reagente no RN (VDRL com título 4x maior que o materno ou treponêmico reagente) e/ou alterações liquóricas (células > 5/mm³, proteína > 100 mg/dL).

Quando a benzilpenicilina cristalina endovenosa é o tratamento indicado para sífilis congênita?

A benzilpenicilina cristalina endovenosa por 10 dias é o tratamento indicado para sífilis congênita quando há evidência de acometimento do sistema nervoso central (alterações no líquor), manifestações clínicas da doença (como hepatoesplenomegalia, lesões ósseas ou cutâneas), ou quando a mãe não foi adequadamente tratada e o RN tem sorologia reagente.

Quais as principais alterações liquóricas que indicam neurossífilis congênita?

As principais alterações liquóricas que indicam neurossífilis congênita incluem contagem de leucócitos no líquor maior que 5 células/mm³ (ou > 25 células/mm³ em RN pré-termo) e/ou proteína no líquor maior que 100 mg/dL (ou > 150 mg/dL em RN pré-termo). Um VDRL reagente no líquor também confirma o acometimento do SNC.

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