Sífilis Congênita: Conduta no Recém-Nascido de Risco

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2025

Enunciado

Qual a CORRETA conduta para recém-nascido de mulher que, na admissão para parto, apresentou teste rápido positivo para sífilis e VDRL reagente até titulação de 1:2 sem história de tratamento prévio para a doença?

Alternativas

  1. A) Realizar teste não treponêmico, hemograma, radiografia de ossos longos, análise do líquor e tratar com penicilina, independentemente de alterações clínicas e/ou laboratoriais.
  2. B) Realizar teste treponêmico e, se for reagente, realizar radiografia de ossos longos e avaliação do líquor. A opção por tratamento dependerá dos resultados dos exames realizados.
  3. C) Realizar teste treponêmico e tratamento somente se apresentar alterações clínicas ou impossibilidade de seguimento ambulatorial da criança.
  4. D) Realizar teste não treponêmico e indicar tratamento e investigação complementar somente quando teste reagente com título superior ao materno.

Pérola Clínica

Mãe com sífilis não tratada no parto → RN com sífilis congênita presumida = Investigar + Tratar com Penicilina.

Resumo-Chave

Em recém-nascidos de mães com sífilis não tratada ou inadequadamente tratada, a sífilis congênita é presumida. A conduta correta envolve investigação completa (VDRL, hemograma, RX ossos longos, líquor) e tratamento imediato com penicilina, independentemente dos resultados iniciais, devido ao alto risco de doença.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença grave e prevenível, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. No Brasil, apesar dos esforços, ainda representa um desafio de saúde pública. A conduta adequada para o recém-nascido (RN) de uma mulher com sífilis é crucial para prevenir sequelas neurológicas, ósseas, hematológicas e outras manifestações graves da doença. A situação mais crítica ocorre quando a mãe não recebeu tratamento adequado ou não foi tratada para sífilis durante a gestação. Nesses casos, o RN é considerado de alto risco e a sífilis congênita é presumida. A conduta recomendada inclui uma investigação diagnóstica completa, que abrange a realização de teste não treponêmico (VDRL) no sangue do RN, hemograma completo com plaquetas, radiografia de ossos longos (para identificar osteocondrite ou periostite) e análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) para descartar neurosífilis. O ponto chave é que, independentemente dos resultados iniciais desses exames ou da presença de sinais clínicos, o tratamento com penicilina G cristalina ou procaína deve ser iniciado imediatamente. A penicilina é o único antibiótico com eficácia comprovada para o tratamento da sífilis congênita. A espera pelos resultados pode atrasar o tratamento e aumentar o risco de sequelas irreversíveis. Residentes devem estar aptos a identificar essas situações de risco e iniciar a terapia prontamente, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde.

Perguntas Frequentes

Quais exames complementares são indicados para o diagnóstico da sífilis congênita no recém-nascido?

Além do teste não treponêmico (VDRL) no sangue do RN, são indicados hemograma completo, radiografia de ossos longos para buscar osteocondrite e análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) para neurosífilis.

Por que o tratamento com penicilina é iniciado mesmo antes de todos os resultados dos exames estarem disponíveis?

O tratamento com penicilina é iniciado empiricamente devido ao alto risco de sífilis congênita e às graves sequelas que a doença pode causar se não tratada precocemente. A penicilina é o único antibiótico com eficácia comprovada.

Qual a importância do VDRL materno na admissão para o parto?

O VDRL materno na admissão é crucial para identificar gestantes com sífilis ativa não tratada ou inadequadamente tratada, permitindo a adoção imediata das medidas preventivas e terapêuticas para o recém-nascido e evitando a sífilis congênita.

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