Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2021
Durante plantão na maternidade, é admitida gestante de 20 anos, com idade gestacional de 38 semanas (de acordo com data da última menstruação), em trabalho de parto. Ao verificar exames do pré-natal, observa-se que no último trimestre a gestante apresentou VRDL 1 :128, em teste rápido reagente, sendo tratada com penicilina benzatina 2.400.000 UI por 3 semanas, última dose há 20 dias. Parceiro tratado. Trouxe VDRL realizado há 3 dias, com valor de 1 :16. Demais sorologias e ultrassonografia morfológica, sem alterações. Evolução de parto vaginal sem intercorrências, recémnascido (RN) do sexo masculino, Apgar 8/9, Peso 3.250g. Exame físico na sala de parto sem alterações. Solicitados exames do RN: hemograma = sem alterações; VDRL = 1 :8; Radiografia de ossos longos = sem alterações; análise do líquor: celularidade = 1 O cels/mm3 , proteínas = 11 O mg/dl, VDRL = não reagente. Com base na história e exames complementares, qual é a classificação do RN quanto à exposição/infecção por sífilis e conduta adequada?
RN com VDRL < ou = mãe + exames normais + mãe tratada adequadamente → exposto, acompanhar. Líquor alterado → sífilis congênita, tratar.
A classificação de sífilis congênita depende do tratamento materno, titulação do VDRL do RN em relação à mãe e exames complementares do RN. Líquor alterado (celularidade > 5 leucócitos/mm³ ou proteínas > 100 mg/dL) é um critério diagnóstico para sífilis congênita, mesmo com VDRL não reagente no líquor, indicando tratamento.
A sífilis congênita é uma doença grave e prevenível, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. O diagnóstico e a conduta adequados no recém-nascido são cruciais para evitar sequelas permanentes. A avaliação do RN exposto à sífilis materna envolve a análise do tratamento materno (esquema, dose, data da última dose, queda da titulação do VDRL e tratamento do parceiro), exame físico do RN e uma série de exames complementares, incluindo VDRL sérico do RN, hemograma, radiografia de ossos longos e análise do líquor cefalorraquidiano. Os critérios para classificação do RN são complexos e baseados nas diretrizes do Ministério da Saúde. Um RN é considerado exposto e não infectado se a mãe foi adequadamente tratada, o exame físico do RN é normal, o VDRL do RN é não reagente ou com titulação igual ou menor que a da mãe, e todos os exames complementares (hemograma, RX de ossos longos e líquor) são normais. Qualquer alteração nesses critérios, como um líquor alterado (celularidade > 5 leucócitos/mm³ ou proteínas > 100 mg/dL, ou VDRL reagente no líquor), mesmo na ausência de outros sinais, classifica o RN como sífilis congênita, exigindo tratamento. O tratamento da sífilis congênita é feito com penicilina, sendo a cristalina ou procaína por 10 dias para casos confirmados ou com líquor alterado, e penicilina benzatina em dose única para situações específicas de RN exposto com mãe inadequadamente tratada, mas com exames do RN normais. A notificação compulsória é obrigatória para todos os casos de sífilis congênita. A compreensão aprofundada desses critérios é vital para residentes, pois a decisão de tratar ou apenas acompanhar tem um impacto significativo na saúde do recém-nascido e na prevenção de complicações a longo prazo.
Um RN é classificado com sífilis congênita se apresentar exame físico alterado, VDRL do RN com titulação maior que a da mãe (em 2 ou mais diluições), líquor alterado (celularidade > 5 leucócitos/mm³ ou proteínas > 100 mg/dL ou VDRL reagente), radiografia de ossos longos alterada ou hemograma alterado, independentemente do tratamento materno.
Se o líquor do RN está alterado (celularidade > 5 leucócitos/mm³ ou proteínas > 100 mg/dL), mesmo com VDRL não reagente no líquor e VDRL sérico do RN menor que o da mãe, o RN deve ser classificado como sífilis congênita e tratado com penicilina cristalina ou procaína por 10 dias, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.
Se o VDRL do RN é não reagente ou tem titulação igual ou menor que a da mãe, e os demais exames do RN são normais, o RN é considerado exposto e não infectado, necessitando apenas de acompanhamento. Se o VDRL do RN for duas diluições ou mais maior que o da mãe, o RN é considerado infectado e deve ser tratado.
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