FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Recém-nascido, sexo masculino, acaba de ser admitido em alojamento conjunto. Filho de mãe primigesta, 19 anos de idade, deu entrada no hospital hoje, já em trabalho de parto, com 38 semanas de gestação. Parto vaginal sem intercorrências. Mãe recebeu diagnóstico de sífilis no primeiro trimestre de gestação. O VDRL inicial da gestante era 1/64, com teste treponêmico positivo. Foi tratada, com 3 doses de penicilina benzatina, colheu VDRL de controle após o fim do tratamento, com 32 semanas de gestação, com resultado de 1/4. Colhidos VDRL materno e do recém-nascido hoje, com resultado de 1/32. Considerando os antecedentes de sífilis na gestação e a evolução dos exames laboratoriais, a conduta indicada para o recém-nascido é
Sífilis congênita: VDRL RN ≥ VDRL materno (ou > 4x) ou tratamento materno inadequado → investigar e tratar RN.
A sífilis congênita é uma condição grave que exige avaliação e tratamento rigorosos do recém-nascido quando há falha terapêutica materna ou sorologia do RN sugestiva de infecção. O VDRL do RN igual ou superior ao da mãe (ou 4x maior) no momento do parto, ou a ausência de queda de títulos maternos após tratamento, indica risco elevado. A investigação completa inclui líquor, hemograma e radiografia de ossos longos para determinar o esquema terapêutico.
A sífilis congênita é uma doença grave, prevenível e de notificação compulsória, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. Sua incidência reflete a qualidade da assistência pré-natal. O manejo adequado da gestante e do recém-nascido é crucial para evitar sequelas neurológicas, ósseas, hematológicas e multissistêmicas, que podem ser devastadoras ou fatais. A avaliação do recém-nascido exposto à sífilis depende da adequação do tratamento materno e dos títulos de VDRL da mãe e do bebê. Um VDRL do RN igual ou superior ao materno (ou 4 vezes maior) no parto, ou tratamento materno inadequado, indica a necessidade de investigação completa. Esta inclui hemograma, radiografia de ossos longos e, fundamentalmente, análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) para descartar neurosífilis. O tratamento da sífilis congênita é feito com penicilina. A escolha entre penicilina cristalina e procaína, e a duração do tratamento (geralmente 10 dias), dependem dos resultados dos exames do RN, principalmente do LCR. A penicilina cristalina é a escolha para neurosífilis ou casos confirmados, enquanto a procaína pode ser usada em situações de menor risco, sempre com acompanhamento rigoroso.
O tratamento é inadequado se não houve queda de pelo menos 2 diluições nos títulos de VDRL após o tratamento, se houve reinfecção, se o parceiro não foi tratado, ou se o tratamento foi iniciado menos de 30 dias antes do parto.
Além do VDRL do RN, são essenciais hemograma completo, radiografia de ossos longos e exame do líquido cefalorraquidiano (LCR) para avaliar o envolvimento do sistema nervoso central.
A penicilina cristalina é usada para sífilis congênita confirmada ou altamente provável, especialmente com LCR alterado, devido à sua melhor penetração no SNC. A penicilina procaína pode ser usada em casos sem evidência de neurosífilis. Ambos são por 10 dias.
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