HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021
Recém Nascido Termo, peso adequado para idade gestacional tem resultado de VDRL do nascimento de 1/64. Mãe teve diagnóstico de sífilis durante o primeiro trimestre de gestação com VDRL 1:16, recebeu tratamento medicamentoso e VDRL de controle 1/2. Realizado VDRL da mãe no momento do parto 1/64. Assinale a alternativa que melhor descreve a investigação diagnóstica necessária neste momento para a criança e tratamento farmacológico.
Sífilis congênita: RN com VDRL ≥ 4x título materno ou mãe com tratamento inadequado → Investigar (hemograma, RX ossos longos, LCR) e tratar.
A sífilis congênita é uma condição grave que exige investigação completa e tratamento imediato no recém-nascido, especialmente quando há dúvidas sobre a adequação do tratamento materno ou quando os títulos do VDRL do RN são elevados. A investigação inclui exames para identificar o acometimento sistêmico, como radiografia de ossos longos, hemograma e análise do líquor.
A sífilis congênita é uma infecção grave transmitida verticalmente, com consequências devastadoras para o recém-nascido se não for diagnosticada e tratada precocemente. A avaliação do RN exposto à sífilis materna é complexa e depende de múltiplos fatores, incluindo a adequação do tratamento materno, os títulos de VDRL da mãe e do bebê, e a presença de sinais clínicos no RN. Mesmo com tratamento materno, se houver dúvidas sobre sua adequação (ex: reinfecção, queda insuficiente do VDRL, tratamento tardio), o RN deve ser investigado. A investigação inclui hemograma completo, radiografia de ossos longos (para osteocondrite ou periostite) e análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) para avaliar neurosífilis. O VDRL do RN com título igual ou superior ao materno no parto, ou 4x maior que o título materno, é um forte indicativo de infecção. O tratamento da sífilis congênita é feito com penicilina. A escolha entre penicilina cristalina (intravenosa) e procaína (intramuscular) depende dos achados da investigação, especialmente do LCR. Se houver qualquer alteração no LCR ou suspeita de neurosífilis, a penicilina cristalina por 10 dias é o tratamento de escolha. Se o LCR for normal e não houver outros sinais de doença grave, a procaína pode ser considerada, mas a cristalina é frequentemente preferida para maior segurança.
O tratamento é inadequado se não foi realizado com penicilina benzatina, se a dose foi insuficiente, se houve reinfecção, se o tratamento foi iniciado menos de 30 dias antes do parto ou se não houve queda de 4x no título do VDRL após tratamento.
Esses exames são cruciais para determinar a extensão do acometimento sistêmico da sífilis, especialmente o neurodesenvolvimento, e guiar a escolha do esquema terapêutico mais adequado (penicilina cristalina ou procaína).
A penicilina cristalina é usada para sífilis congênita confirmada ou altamente provável, especialmente com acometimento do SNC, devido à sua melhor penetração no líquor. A penicilina procaína pode ser considerada em casos sem acometimento do SNC e com boa adesão ao acompanhamento.
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